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‘Dinastia acabou’, diz neto de Sarney que foi eleito deputado

Adriano Sarney credita fim de uma era à eleição do governador pelo PC do B, Flávio Dino, e à troca de lado de antigos aliados

Diego Emir , enviado para O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2015 | 21h27

SÃO LUIS - Na condição de deputado estadual pelo PV, o neto do senador José Sarney (PMDB) fez prognóstico do fim da era Sarney no Maranhão. “A dinastia chegou ao fim. Agora o grupo, que um dia se chamou de Grupo Sarney, se quebrou”, proclamou Adriano Sarney, o filho do deputado federal Zequinha Sarney (PV). 


O parlamentar estreante na política, de 34 anos, justifica seu pensamento ao observar o movimento político dos aliados, que, segundo ele, começam a se dispersar em direção onde o poder está. “Alguns vão fazer oposição a Flávio Dino (governador eleito pelo PC do B), outros vão para a base do novo governo”, diz. Um amigo do grupo, que já deu sinais de dissidência, é o ex-ministro do Turismo, Gastão Vieira, que anunciou no último domingo o desejo de deixar o PMDB para trabalhar para o governador Flávio Dino. O novo chefe do Executivo derrotou nas eleições o candidato dos Sarney, Edson Lobão Filho, colocando fim aos quase 50 anos de domínio da família Sarney.



Adriano diz que terá um papel de fiscalizador das ações do Executivo e revela suas pretensões políticas. “A política para mim não é apenas vocação, é destino, sempre convivi com ela. Esse mandato de deputado estadual vai ser vitrine das minhas ideias e das minhas lutas, se os maranhenses aprovarem, é claro que quero galgar postos mais altos”, planeja, numa tentativa de evitar o total declínio do sarneísmo.


Ele diz preocupar-se com a possibilidade de políticos brasileiros perderem um “conselheiro” com a aposentadoria do avô. O senador encerra oficialmente sua vida política com o fim de seu mandato em 31 de janeiro. “A saída do senador José Sarney da política vai deixar muitos políticos maranhenses, amapaenses, brasileiros em geral, sem uma referência para buscar abrigo, conselho. Minha vida toda vi meu avô atender políticos, inclusive os de oposição, autoridades, lideranças, populares, intelectuais, os ajudando e os aconselhando com a sua vasta experiência”, relata


Adriano não se abate com as críticas a seu avô. “As críticas e os elogios fazem parte da vida pública e do sistema democrático, cuja normalidade, aliás, se deve em grande parte ao senador José Sarney quando presidente da República”, conclui. 

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