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Dilma x Dilma

Fala de Dilma antes do julgamento que pode levar à perda de seus direitos foi vista como desastre

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2017 | 03h00

Um dos únicos consensos entre ministros, advogados e procuradores na tumultuada sessão de ontem do Tribunal Superior Eleitoral era de que a entrevista concedida por Dilma Rousseff no dia do início do julgamento do pedido de cassação da chapa que encabeçava foi uma bomba. Para ela.

Advogados ligados ao PT já se arrepiaram de a ex-presidente abrir o verbo sobre o caso que pode levar à perda de seus direitos políticos justamente ontem. 

Mais: quando diz que seu comitê financeiro custeou quase todas as despesas de Michel Temer, de jatinhos ao pagamento de salário de assessores, e foi responsável pelo grosso da arrecadação, Dilma praticamente corroborou a tese de que Temer não teve a chamada “responsabilidade objetiva” por eventuais irregularidades no caixa.

“É um desastre completo essa entrevista agora!”, espantava-se um jurista simpático ao PT diante das declarações de Dilma, dadas ao jornal Folha de S.Paulo. Dois ministros do TSE expressaram a mesma opinião.

A defesa de Temer não deixará passar o sincericídio da ex-presidente. Vai utilizar a entrevista como prova na nova manifestação que poderá fazer nos autos com a reabertura do prazo. 

Outro revés lamentado pelos petistas foi a decisão de ouvir o marqueteiro João Santana e sua mulher, Mônica Moura. Os dois, que tiveram as delações homologadas ontem, podem corroborar o que disseram os delatores da Odebrecht sobre pagamentos feitos pela empreiteira no exterior para as campanhas dilmistas.

TSE

Resultado foi ‘melhor que a encomenda’, avalia Planalto

No Palácio do Planalto, o resultado ontem foi considerado melhor que a expectativa. A reabertura da fase de oitivas, avaliam aliados do presidente, complica apenas Dilma. E o adiamento sem prazo para que o caso volte ao plenário praticamente selou a ausência de Luciana Lóssio do julgamento. Ela é considerada um possível voto pela cassação da chapa, sem perda dos direitos políticos de ambos – desfecho que só prejudicaria Temer.

PREVIDÊNCIA

Com fôlego, governo fala em acelerar reforma

O fôlego garantido pelo adiamento do julgamento do pedido de cassação de Temer foi visto como a oportunidade para acelerar a votação da reforma da Previdência. O governo quer concluir na próxima semana as rodadas de discussão do texto com as bancadas setoriais da Câmara. O cronograma atualizado ontem, um tanto otimista, prevê votação no Senado até julho e poucas concessões no texto original. Falta só combinar com os russos.

VIDA NOVA

Cardozo vai advogar para a Kroton em caso de fusão

O ex-ministro José Eduardo Cardozo acaba de assumir o primeiro caso de visibilidade nacional desde que retomou a advocacia. Ele vai atuar na defesa da Kroton no processo de fusão com a Estácio. Cardozo é associado de um escritório em São Paulo e vai abrir uma banca em Brasília.

TELES

Governo considera que Oi caminha para intervenção

O governo não está blefando quando fala em intervenção na Oi. A Anatel já tem um plano caso ela seja decretada, inclusive com nomes do mercado para assumir a companhia. A medida provisória que está sendo elaborada vai apontar o caminho jurídico para a intervenção.

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