Dilma volta à berlinda no caso dossiê FHC e cancela agenda

Assessoria diz que ministra está 'gripada' e nega que cancelamento tenha relação com nova versão sobre dados

da Redação,

04 de abril de 2008 | 11h33

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, cancelou a agenda de compromissos no Rio nesta sexta-feira, 4. A assessoria diz que a ministra está "gripada" e nega que o cancelamento tenha relação com a crise que envolve o dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.  No entanto, Dilma estava em seu gabinete despachando. Ela voltou à berlinda nesta sexta com a divulgação de que o documento saiu pronto do Planalto, e não foi retirado de um "banco de dados" aleatório, como alegou a Casa Civil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também deve cancelar a viagem desta tarde ao Guarujá. O motivo alegado é o mau tempo, em São Paulo.   Veja Também:   Para 'Economist', Dilma pode ser 'bode na sala' para 2010 Álvaro Dias diz que tudo foi 'armado' Dossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos  Forúm: Quem ganha e quem perde com a CPI? Casa Civil faz 'caça às bruxas' para achar 'espião' do dossiê Oposição vai questionar Dilma sobre dossiê contra FHC em comissão Garibaldi lerá pedido que cria CPI no Senado    Reportagem do jornal Folha de S. Paulo desta sexta revela que uma cópia de arquivo da Casa Civil complica a versão de que o governo tenha feito um "banco de dados" sobre os gastos de FHC e sua mulher Ruth Cardoso entre 1998 e 2002, e um suposto "infiltrado" tenha subtraído esses documentos e vazado as informações. Na Casa Civil, foi criada uma comissão de sindicância para descobrir o "espião".   A reportagem obteve um conjunto de planilhas em Excel, com 27 páginas no total, e afirma que a organização de dados seguiu uma "lógica política". O documento teria sido criado em 11 de fevereiro, antes da criação da CPI dos Cartões, porém no auge das denúncias de irregularidades no uso dos cartões por parte da Presidência e de ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.   As planilhas com as despesas também foram divididas também por nomes, como mostra o jornal: Ruth Cardoso; de dois dos ministros à época, Eduardo Jorge (Secretaria Geral da Presidência) e Clóvis Carvalho (Casa Civil e Desenvolvimento); do senador tucano Arthur Virgílio (Secretaria Geral da Presidência); e da chef de cozinha Roberta Sudbrack.   O Estado de S. Paulo revelou, em 19 de fevereiro, que o Planalto preparava um dossiê sobre os gastos da gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para distribuir a aliados assim que seja instalada a CPI dos Cartões. Um mês depois, reportagem da revista Veja mostrou detalhes do documento, com gastos pessoais do ex-presidente e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso entre 1998 e 2001.   CPI dos Cartões   Cansada da blindagem do governo na CPI mista dos Cartões, a oposição agora pressiona para que seja criada uma comissão apenas no Senado, onde os aliados terão mais dificuldade de ser maioria. O presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), afirmou na última quinta que fará a leitura do requerimento para criar a comissão: "Doa a quem doer, custe o que custar, vou ler o requerimento na terça".   Também na última quinta, a oposição  partiu para cima do governo e obteve uma vitória. Por meio de uma manobra, tentou convocar Dilma para depor sobre o suposto dossiê contra FHC. A convocação para a Comissão de Infra-Estrutura  passou, porém Dilma não será obrigada a responder a perguntas que tratem do vazamento, apenas às que tratem do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). No entanto, oposicionistas prometem constranger a ministra, e a sessão deverá ser tumultuada. Dilma tem 30 dias para cumpir a convocação.  

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