Dilma visita Bienal em SP e evita comentar pesquisa

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, negou-se hoje a comentar os resultados da pesquisa Datafolha sobre o segundo turno da eleição presidencial que apontam sua liderança, com 48% dos votos totais, contra 41% do tucano José Serra. A pesquisa indica também maior migração dos votos de Marina Silva (PV) para Serra do que para Dilma. "Vou repetir, pela 29ª vez desde que a eleição começou, que eu não comento pesquisas, porque pesquisa é um retrato do momento. Cada vez mais, principalmente a 20 e poucos dias da eleição, isso fica mais real. Ninguém tem certeza da precisão da pesquisa, mas ela reflete aquele momento. Agora, o que ela projeta daqui até o dia da eleição, nós vamos ver", afirmou Dilma, que visitou hoje a 29ª Bienal de São Paulo.

CHIARA QUINTÃO, Agência Estado

10 de outubro de 2010 | 13h31

Em relação ao debate na TV de hoje à noite, promovido pela Band, a candidata disse esperar que o encontro seja "de alto nível, esclarecedor, em que fiquem claras as posições de cada um". "Agora é mais fácil, só tem dois (candidatos). Tendo só dois, as posições vão ficar mais claras, as dúvidas vão ser melhor esclarecidas e vai ser mais fácil para o eleitor saber, por meio do contraste das posições, em quem votar."

Questionada se o debate iria refletir uma campanha mais conservadora para o segundo turno, Dilma disse "não ter o menor interesse em virar conservadora". "Não é uma questão do debate, mas de quem participa. Do meu ponto de vista, não faço nenhuma virada para a direita para poder me eleger", ressaltou. Atualmente, a questão do aborto e da religião migrou para o centro do debate eleitoral, e acredita-se que o tema poderá influir no segundo turno.

Dilma afirmou ter sido acusada de "coisas que jamais pensou ser". "Fui acusada como na Guerra Fria, nos anos 50. Quando você queria acusar uma pessoa, dizia que ela ''comia criancinha''. Eu jamais esperei escutar uma acusação dessas e escutei. Não só foi conservador, como berrou a todas as manifestações absurdas da Guerra Fria, do maior preconceito que houve no mundo que é criar, tentar pregar no adversário uma imagem que é ridícula no século 21", disse.

A candidata se referiu ao eleitorado brasileiro como generoso, com tradição de tolerância. "O Brasil é um país em que árabes e judeus sentam na mesma mesa e convivem sem atritos. Criar clima de guerra religiosa no Brasil é um absurdo porque não compadece com a nossa cultura, e nós não somos assim", disse, destacando que o povo brasileiro é trabalhador, pacífico, gosta da harmonia e não de quem cria conflito, animosidade.

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