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Dilma x Cunha: entenda o bate-boca público entre chefes de poderes

Presidente e peemedebista trocam farpas durante declarações públicas em meio a discussão sobre eventual afastamento da petista

O Estado de S. Paulo

20 Outubro 2015 | 09h33

Neste mês de outubro, as suspeitas contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no âmbito da Operação Lava Jato ficaram mais fortes, depois que vieram a público documentos enviados pelo Ministério Público da Suíça sobre contas secretas do peemedebista e de seus familiares no país europeu. O deputado tem reiterado o que havia dito em março à CPI da Petrobrás, quando negou ter contas que não as declaradas em seu Imposto de Renda, e afirma que vai permanecer no comando da Câmara, mesmo sob maior pressão de parlamentares para deixar o cargo.

Para tanto, Cunha se sustenta em seu poder para decidir aceitar ou não um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que, apesar de não ter prova de ligação direta com o esquema de corrupção da Petrobrás, tem a campanha à reeleição investigada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pela Polícia Federal e é a primeira presidente desde Getúlio Vargas, em 1937, a ter as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). É nesse cenário que Dilma e Cunha acabaram travando um duro embate de declarações públicas que, nas entrelinhas, deixam transparecer os riscos aos mandatos de ambos. Veja como foi o bate-boca entre a presidente da República e o deputado que tem o poder de desencadear o processo de impeachment.

18 DE OUTUBRO

A presidente Dilma Rousseff afirmou três vezes, em Estocolmo, na Suécia, que "lamenta" que as denúncias relacionadas ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, envolvam um brasileiro. Segundo ela, não houve acordo entre os chefes dos dois poderes, Executivo e Legislativo, por mais estabilidade política. A presidente ainda acusou "a oposição" de firmar um entendimento com Cunha.

DIA 19 DE OUTUBRO

No dia seguinte, Cunha rebateu as declarações da presidente feitas na Suécia e anunciou recurso ao Supremo Tribunal Federal contra as liminares que paralisaram o rito, definido por ele e pela oposição, de um processo de impeachment contra a petista na Câmara. "Eu lamento que seja com um governo brasileiro o maior escândalo de corrupção do mundo", contra-atacou o presidente da Câmara, em referência às irregularidades na Petrobrás, investigadas pela Operação Lava Jato. Como tem sido seu hábito, Cunha não comentou diretamente as suspeitas de envolvimento dele próprio com os desvios na estatal.

DIA 20 DE OUTUBRO

Houve tréplica. Agora na Finlândia, Dilma afirmou que seu governo "não está envolvido em nenhum escândalo de corrupção". "Primeiro, não vou comentar as palavras do presidente da Câmara", afirmou a presidente. "Segundo, o meu governo não está envolvido em nenhum escândalo de corrupção. Não é o meu governo que está sendo acusado", argumentou.

Mais tarde, Eduardo Cunha voltou a rebater a petista. Em entrevista em Brasília, o presidente da Câmara ironizou a declaração de Dilma afirmando que "não sabia que a Petrobrás não era do governo". 

Na tentativa de encerrar a discussão, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, telefonou para a Finlândia e pediu à presidente que não mais respondesse a Cunha. No telefonema, Wagner descreveu um clima tenso em Brasília.


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