Dilma venceu o jogo ou ganhou um round?

Antes de concluída a reforma política, é impossível medir a satisfação do PMDB

Marco Antonio Teixeira (FGV-SP), O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2015 | 12h32

Pressionada pela crise política e, também, pelo agravamento dos quadros econômico e fiscal, a presidente Dilma Rousseff recorreu a um ultimo recurso para tentar retomar a articulação governamental no Congresso: a reforma ministerial. O objetivo, para além de retomar a governabilidade, foi evitar que vetos presidenciais a projetos que criavam mais despesas para o Orçamento da União pudessem ser rejeitados. O custo dessa ação foi costurar com Renan Calheiros e Eduardo Cunha, antes desafetos da presidente, a redução de ministérios e a possível entrega de pastas com mais recursos orçamentários ao PMDB. Ou seja, caminha-se para uma gestão Dilma cada vez mais peemedebista e mais distante do PT em busca de sobrevivência política.

A julgar pelo resultado, dos 32 vetos a serem apreciados, 26 foram mantidos e os demais ainda serão analisados pelos congressistas, o governo conseguiu uma vitória, mesmo que parcial. Isso reverte, ao menos por enquanto, a impressão de que Dilma havia perdido definitivamente qualquer capacidade de articulação com o PMDB e com os demais partidos que formam a sua base de apoio, o que reforçaria a tese da aprovação da abertura de um processo impeachment na Câmara.

Por qual a razão essa vitória foi parcial? Pelo fato de que questões-chave para o equilíbrio fiscal como o veto ao reajuste salarial dos servidores do Judiciário, a alternativa ao fator previdenciário e a tentativa de se estender a política de valorização do salário mínimo aos aposentados, dentre outras questões, terem ficado para depois. A dúvida que fica é: a articulação governista que se mostrou vitoriosa na madrugada desta quarta-feira foi pontual ou resiste no tempo?

Considerando que a reforma ministerial ainda não está devidamente concluída, ao menos publicamente, e que ainda não se tem conhecimento acerca de qual será o novo desenho ministerial entre os partidos aliados, é impossível medir a satisfação do PMDB e calcular com qual fatia do partido o governo poderá contar daqui para frente. De todo modo, a retórica antes oposicionista de líderes como Calheiros, Cunha e Leonardo Picciani parece ter mudado de lado, o que anima dilmistas mais ferrenhos, incluindo ai uma parcela de petistas, a assarem a duvidar da viabilidade do impeachment. Registra-se que o grande ausente dessa articulação foi Michel Temer, o que confirma o tamanho da sua liderança no PMDB.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.