Dilma vê ''mau gosto'' em misturar doença e política

Ela deixa hospital e se recusa a falar sobre candidatura

Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

21 de maio de 2009 | 00h00

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, deixou ontem o Hospital Sírio-Libanês, onde estava internada desde a madrugada de terça-feira com fortes dores nas pernas. Na saída, foi direta ao falar sobre as especulações de que sua pré-candidatura à Presidência em 2010 poderia ser abalada por causa de sua doença."Acho de muito mau gosto misturar uma doença que é hoje curável com questões políticas. E a própria população vai entender que isso não é adequado", disse Dilma, por volta das 13h30, quando saiu caminhando, pela porta da frente do hospital. Dilma estava em Brasília, na segunda-feira, quando passou mal. Veio a São Paulo e se internou no Sírio-Libanês. Ressonâncias mostraram que a mialgia, nome médico dado para a dor na perna, foi uma reação ao tratamento quimioterápico que ela faz contra o câncer, no qual é submetida a altas doses de cortisona.Indagada sobre a possibilidade de mudanças de planos em relação a uma eventual candidatura à Presidência, repetiu: "Eu não falo dela nem amarrada."Dizendo-se recuperada, falou sobre a internação. "Ontem eu estava com muita dor nas pernas porque eu tenho uma reação quando se tira o cortisona", explicou. Segundo ela, as dores passaram com a retomada de uso da droga em doses menores. "Vão fazer o que eles chamam de desmame. Vão tirar lentamente."Ela garantiu que as dores não têm relação com o "ritmo de trabalho", mas sim com seu organismo. "Cada pessoa reage de um jeito. Quinta, sexta, sábado e domingo eu estava muito bem. Mas houve essa queda brusca (da cortisona administrada). Agora eles vão fazer uma sintonia fina com meus remédios." E disse que continuará trabalhando normalmente.Contou também ter conversado com o presidente Lula, que está em viagem à China, na terça-feira, mas não quis comentar os assuntos tratados. "Fizemos um despacho básico."Mesmo sob o efeito de fortes remédios e debilitada pelas dores musculares, Dilma afirmou estar bem e não parou de sorrir durante toda entrevista. Mas admitiu que vai desacelerar a agenda nos próximos dias. Ontem, depois de obter alta do hospital, ela foi aconselhada a permanecer em repouso. Até sua presença em almoço organizado por Marta Suplicy (PT), no sábado, em São Paulo, está praticamente descartada. Ela seria a estrela da festa."Estamos reavaliando. Em princípio, a gente estava pensando em suspender a agenda deste fim de semana", confirmou a ministra, que seguiu direto para o Aeroporto de Congonhas. PERUCAMuito à vontade ao falar com os jornalistas, Dilma não deixou sem resposta uma pergunta que todos queriam fazer. "Eu estou usando uma peruquinha básica, como vocês podem notar. É uma coisa que eu espero, logo que começar a crescer (o cabelo, que cai que cai por causa da agressividade das drogas usadas) e tiver numa altura mais ou menos no tamanho dos masculinos, eu possa tirar, porque é muito chato peruca", contou sem constrangimento.A ministra disse ainda que "estranhamente" não engordou nem emagreceu. "Tomei doses cavalares (de medicamentos), era para estar gordinha, né?" A variação de peso é comum durante esse tipo de tratamento.Mais uma vez, informou que sempre se pronunciará sobre sua saúde, mas pediu "resguardo". "Sei que sou uma figura pública, mas a um pouco de privacidade eu tenho direito. Agradeço a vocês e garanto que sempre vou falar com vocês."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.