Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Dilma vai discutir espionagem na ONU

Presidente quer propor nova governança na internet para coibir práticas como as de agência dos EUA, acusada de monitorar autoridades do Brasil

Tânia Monteiro - ENVIADA ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2013 | 07h00

NOVA YORK - A presidente Dilma Rousseff desembarca nesta segunda-feira em Nova York para abrir, na manhã desta terça-feira, a 68.ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), quando apresentará a proposta de uma nova governança na internet, que defina normas e mecanismos para coibir práticas de violação de direitos ou espionagem de quaisquer países.

Para Dilma, a ação da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos trata-se de violação de direitos humanos, não só em relação ao País, mas sobre todos os cidadãos e aos Estados. Antes do discurso de abertura na ONU, tradicionalmente realizado pelo Brasil, a presidente levará ao secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, em um encontro reservado, sua indignação em relação à espionagem da NSA e pedirá ação conjunta dos países contra esse tipo de ação.

Em seguida, Dilma vai se dirigir ao novo plenário, onde deverá cruzar com o presidente americano, Barack Obama, que vai discursar logo em seguida. Não se sabe se ela vai acompanhar a fala do presidente americano e não há agenda prevista para uma conversa entre os dois, mas espera-se que Dilma e Obama se encontrem, ainda que rapidamente, como decorrência do cancelamento da visita que ela faria a Washington daqui a um mês.

Em seu discurso, além de abordar o tema da espionagem, a presidente aproveitará para tratar da questão da Síria. Dilma quer dar seu voto de confiança à solução diplomática proposta pela Rússia de auditar o arsenal químico do regime do presidente Bashar Assad, por meio de inspeções de equipes internacionais.

O Brasil deverá voltar a defender a necessidade de reformulação das Nações Unidas, particularmente do Conselho de Segurança, para abrigar as novas forças do mundo. Há anos o País reivindica um assento permanente no órgão. A crise econômica, que ainda traz consequências aos países, também deverá ser abordada pela presidente.

Milênio. A agenda de Dilma em Nova York inclui um encontro, amanhã à tarde, sobre desenvolvimento sustentável, quando serão reiterados temas discutidos na Rio+20, em 2011. A intenção é tentar sugerir novas metas a oito temas considerados objetivos do milênio, que se encerram em 2015 e não serão alcançados.

Dilma tem agendada, na quarta-feira, a presença no encerramento do seminário Oportunidades em Infraestrutura no Brasil, quando estarão presentes e discursarão o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. Na comitiva presidencial está também o ministro das Relações Exteriores, Luiz Figueiredo, que permanecerá em Nova York depois da partida de Dilma, na quarta-feira, para dar prosseguimento a outros encontros agendados - um deles, com o secretário de Estado americano, John Kerry. Na pauta, a espionagem dos EUA ao Brasil.

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