Dilma usa viagem à Europa para cancelar compromissos

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, usou a agenda de compromissos internacionais para justificar o cancelamento de compromissos de campanha. Em entrevista na manhã de hoje à Rádio Capital, de São Paulo, ela afirmou que, ao retornar dos encontros com chefes de Estado da França, Espanha e de Portugal, na próxima semana, cumprirá o que estava previsto. "No Brasil vou estar sempre."

MARTA VALIM, Agência Estado

10 de junho de 2010 | 12h23

Ela afirmou que seria mais difícil remarcar os encontros na Europa. Um dos compromissos desmarcados é a sabatina a que seria submetida, na próxima quinta-feira, pelo jornal "Folha de S.Paulo".

A viagem de Dilma, do dia 15 a 20 deste mês, coincide com a estratégia da campanha, confirmada na terça-feira pelo presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, de não participar de debates enquanto for pré-candidata e de poupá-la de situações desconfortáveis.

A ex-ministra da Casa Civil comentou ainda as denúncias do suposto dossiê contra o pré-candidato do PSDB, José Serra. "A minha campanha não fez nenhum contato com nenhum delegado nem nenhum araponga. Se uma empresa contratada pela campanha fez esse contato, é problema da empresa." Ela defendeu uma campanha de "alto nível" e criticou o que chamou de acusação sem provas.

Pesquisas e juros

Dilma também relativizou os resultados das últimas pesquisas de intenção de voto, dizendo que "não se pode subir no salto e dizer que ganhou" e comentou a decisão de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar as taxas de juro para 10,25% ao ano, que acredita ser em função do superaquecimento da economia brasileira.

A pré-candidata afirmou concordar com a avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que, em comparação com os Estados Unidos e a Europa, o Brasil enfrentou apenas uma "marolinha", superou a crise internacional e agora cresce a níveis chineses.

Irã

Para Dilma, o Brasil deve ficar orgulhoso da sua atuação em relação ao acordo com a Turquia e o Irã, apesar da aprovação das sanções pela Organização das Nações Unidas (ONU). " A ONU, ou melhor, seu Conselho de Segurança, seguramente, para ter a posição que teve, negociou seus interesses. Nós tivemos a altivez de defender um caminho de paz, de acordo, de não-sanções", opinou, em entrevista à Rádio Capital.

Segundo ela, o acordo com o Irã e a Turquia foi motivado pela cultura brasileira do diálogo e da paz, e da percepção de que sanções têm poucos resultados práticos, tomando como exemplo o Iraque. "Todo mundo votou a favor da guerra, e o Iraque não tinha armas de destruição em massa." Dilma considera que o pagamento da dívida ao Fundo Monetário Internacional (FMI) criou condições materiais para a "posição autônoma" e para o protagonismo brasileiros.

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