Marcio Fernandes/AE
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Dilma usa caminhada em São Paulo para atacar políticas tucanas

No primeiro ato de campanha na capital paulista, petista critica tratamento dispensado a professores

Rodrigo Alvares, do estadão.com.br / SÃO PAULO

07 Julho 2010 | 14h15

Com a agenda desta quarta-feira, 7, focada no eleitor paulista, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, aproveitou o lançamento de sua campanha no centro São Paulo para criticar os 16 anos de governo do PSDB no Estado.

 

"Não podíamos estar em melhor lugar. Aqui foi onde São Paulo começou, no Pátio do Colégio. Não é justo que essa cidade, que escolheu um colégio para começar, trate mal seus professores. É preciso que seja feita a revolução da educação e do conhecimento", disse a petista, numa referência à recente greve dos professores que paralisou as escolas do Estado. Dilma discursou ao lado do candidato do PT ao governo paulista, Aloizio Mercadante.

 

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Numa clara estratégia de ataque à hegemonia tucana no Estado, Dilma também afirmou que os programas de transferência de renda diminuíram em São Paulo. "Me comprometo em ter um programa de saúde pública e de combate ao crime organizado", disse, atenta a duas das principais bandeiras do tucano.

 

Dilma alfinetou Serra, criticado até por aliados por centralizar todas as decisões de seus mandatos, ao admitir que "não sabe de tudo" e que "não é presunçosa". A petista ainda ironizou o slogan da campanha adversária, de que "o Brasil pode mais". "Eles dizem que podem fazer mais. Como? Quando eles estiveram no governo diziam que iam fazer mais e fizeram menos", atacou.

 

A petista também promoveu a candidatura de Mercadante ao governo do Estado. "Eu preciso de uma pessoa com as qualidades de Mercadante para transformar São Paulo. Preciso de um vice como o Temer. Eu me identifico com o povo desse Estado que acorda cedo e trabalha muito", disse.

 

Usando uma flor vermelha no lado direito do cabelo, a candidata petista chegou à Praça da Sé por volta da 13 horas, acompanhada de seu candidato a vice, Michel Temer, e do ex-ministro da integração Nacional Geddel Vieira Lima, que concorre ao governo da Bahia pelo PMDB. O presidente da Câmara dos Deputados disse à militância: "Olho isso aqui e me lembro do comício das Diretas Já". Já o peemedebista baiano não subiu no carro de som para discursar.

 

Pedágio

 

Mercadante prometeu renegociar os contratos de concessão de rodovias estaduais em São Paulo para reduzir as tarifas de pedágio. "Vamos negociar e diminuir o pedágio em São Paulo. As empresas não podem continuar tendo o lucro que têm hoje. Vamos acabar com o abuso dos pedágios. O preço do abuso será a derrota eleitoral (dos tucanos)", criticou. "A gente começa a sentir o sabor da vitória", disse, confiante. Ele também defendeu salários melhores para os professores e uma política intensiva de combate ao crack.

 

Durante o discurso da petista, menos da metade da praça permanecia ocupada. De acordo com a Polícia Militar, 1,3 mil prestigiaram o evento - segundo a organização do evento, foram 4 mil.

 

Tumulto

 

Mercadante iniciou a caminhada na Praça do Patriarca por volta das 12h. Devido ao forte assédio de militantes e jornalistas, a segurança do candidato fechou um cordão de isolamento ao redor dele para abrir passagem até a Catedral da Sé.

 

Dilma não participou da primeira parte da caminhada e se encontrou com Mercadante nas proximidades da Catedral da Sé sem um grande aparato de segurança. Assim que os pedestres viram a petista, correram para cumprimentá-la. O princípio de tumulto levou à formação de um outro cordão de isolamento em torno da candidata. Dilma ainda se assustou com um rojão que estourou próximo à sua comitiva.

 

Campanha

 

A disputa pelo voto dos paulistas deve esquentar nesta quarta. Além de Dilma, os outros dois principais candidatos à presidência, o tucano José Serra e a verde Marina Silva, têm agenda no Estado. Depois da caminhada pelo centro de São Paulo, Dilma deverá se encontrar com lideranças de Heliópolis, na zona sul da cidade. Serra, por sua vez, acompanha o candidato do partido ao governo paulista, Geraldo Alckmin, em Jundiaí. Já Marina passou pela Francal, no Anhembi, também na capital.

 

Atualzada às 16h17

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