Dilma trata câncer linfático e diz que mantém ritmo de trabalho

Candidata de Lula para sua sucessão em 2010, ministra da Casa Civil confirma doença em entrevista coletiva

Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2009 | 00h00

Principal nome do governo para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, confirmou ontem que há cerca de três semanas se submeteu a cirurgia para retirada de um tumor na axila esquerda no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista. Segundo os médicos, a biopsia detectou, há três dias, que se tratava de um linfoma - um tipo de câncer no sistema linfático.O anúncio sobre o quadro de saúde da ministra, de 61 anos, foi feito à tarde. A própria Dilma, em entrevista no hospital, revelou a doença e disse estar diante de um novo desafio em sua vida. Ela desconversou sobre um eventual impacto do câncer nos planos de lançar-se candidata à Presidência e disse que manterá a rotina de trabalho. "O que está em pauta é enfrentar esse desafio e sair mais forte do lado de lá", afirmou. "Do ponto de vista da minha atividade, vou mantê-la no mesmo ritmo, até porque não há incompatibilidade entre uma coisa e outra. O tratamento não implica que eu tenha de me retrair. Pelo contrário, acho que vai ser até um fator para me impulsionar."O nódulo extraído tinha cerca de 2 centímetros e foi descoberto, há cerca de 30 dias, durante tomografia de rotina na região do tórax. "Fizemos um rastreamento no organismo da ministra e o nódulo estava localizado", explicou o cardiologista Roberto Kalil, médico pessoal de Dilma e de Lula. Ela disse que faz exames de prevenção com regularidade. O último havia sido há um ano e dois meses.A hematologista Yana Augusta Sarkis Novis explicou que a chance de cura é de mais de 90% porque a doença foi descoberta em estágio inicial. "Graças aos exames, o diagnóstico foi precoce. A ministra tinha um linfoma em estágio inicial, pequeno e que foi retirado", disse. "As perspectivas são as melhores. Ela vai fazer quimioterapia apenas complementar e por, mais ou menos, quatro meses", completou o oncologista Paulo Hoff, que integra a equipe que assiste a ministra.TRANQUILIDADEDilma disse que recebeu a notícia "como qualquer pessoa", mas agora está tranquila. "Ninguém gosta de saber que está com uma doença. Mas recebo com tranquilidade, porque tive a sorte de ter esse diagnóstico precoce."Também se mostrou otimista com a cura. "Estou certa de que vai ser algo que será superado", afirmou. E falou em desafios: "Acho que na vida sempre ficamos diante de desafios. Esse é mais um que vou ter. Tenho certeza de que, como milhares de homens e mulheres anônimos que enfrentam esse processo, o meu objetivo é enfrentar e viver minha vida de forma bastante intensa. Tenho de comemorar a vida diante da doença."Dilma fará uma sessão de quimioterapia a cada três semanas. Cada uma dura em torno de quatro horas, mas, segundo os médicos, ela será liberada no mesmo dia, podendo voltar a trabalhar normalmente. Os efeitos colaterais seriam mínimos, na avaliação da equipe médica, porque a dosagem da medicação é pequena. A ministra está usando um cateter para facilitar a aplicação dos remédios. "Tenho veias horríveis", brincou Dilma. CIRURGIAA causa do tumor é desconhecida. A literatura médica indica que podem ser vários os fatores. "Mas sabemos que é um problema predominante em países desenvolvidos. Até algum tipo de vírus pode ser a causa. Mas nada disso foi constatado na ministra", explicou Yana. Para a extração do tumor, chamado de linfoma B de grande célula, foi realizado um procedimento cirúrgico simples em ambulatório, que durou 45 minutos. Não foi preciso anestesia, apenas uma sedação.O anúncio do estado de saúde da ministra foi cercado de suspense. Kalil, ao chegar ao hospital, não quis dar declaração. Dilma, que entrou pela porta da frente do Sírio-Libanês minutos depois, acompanhada do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Franklin Martins, também não deu entrevista. Sorridente, maquiada e de cabelo escovado, apenas pediu aos repórteres que esperassem pela entrevista coletiva.Dilma ficou sabendo que o tumor era maligno há três dias. Mas à mãe, à filha e ao presidente Lula ela somente deu a notícia anteontem à noite.A ministra é hoje o principal nome do governo para a sucessão de Lula. A intenção de lançá-la candidata já foi anunciada pelo próprio presidente. Desde o início do ano, ela intensificou sua agenda política e até fez no fim do ano passado uma cirurgia para suavizar as linhas de expressão do rosto.Dilma agradeceu publicamente ontem à equipe médica. "Quero dizer que me sinto muito segura." FRASESDilma RousseffMinistra da Casa Civil"O que está em pauta é enfrentar esse desafio e sair mais forte do lado de lá""Do ponto de vista da minha atividade, eu vou mantê-la no mesmo ritmo, até porque não há uma incompatibilidade entre uma coisa e outra""Recebi como qualquer pessoa. Ninguém gosta de saber que está com uma doença. Mas recebo com tranquilidade, porque tive a sorte de ter esse diagnóstico precoce"

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