'Dilma terá aqui um general eleitoral', diz Eduardo Paes

Disposto a se voltar para o cotidiano do Rio, novo prefeito do Rio se põe a serviço do projeto político de Cabral

Alexandre Rodrigues, de O Estado de S. Paulo,

31 de dezembro de 2008 | 19h37

Eduardo Paes assume a prefeitura do Rio consciente da sua condição de soldado do projeto político do governador Sérgio Cabral. Mais entusiasmado com a idéia de ser bem-sucedido como síndico da cidade, demonstra certo tédio ao discorrer sobre temas nacionais, entrelaçando nervosamente elásticos nos dedos da mão esquerda enquanto a outra brinca com um maço de cigarros.  Veja também: Geografia do voto: Mapa do desempenho dos partidos   'Serra é um homem mais preparado para o posto', diz Richa Ciro sempre esteve muito perto do PSDB de Minas, diz Lacerda 'Maneira de ajudar é fazer uma boa gestão', diz João da Costa Em rápida entrevista ao Estado no gabinete de transição instalado na Fundação Getúlio Vargas, em Botafogo, faz referência às frustradas aspirações nacionais de Cesar Maia (DEM), seu desafeto, para marcar sua diferença. Mas ao constatar que governará a segunda maior cidade do País, a mais importante nas mãos do PMDB, eleva sua patente para se declarar, mais do que um cabo, um "general eleitoral" de uma candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.  O ex-tucano que torpedeou o governo Lula na crise do mensalão se diz à vontade no PMDB governista e acompanha Cabral, de quem empresta frases inteiras, na defesa da aliança com o PT, mas também preserva a ligação ao governador de São Paulo, José Serra (PSDB).  Estado - O senhor tem se apresentado como um "prefeito-síndico", que priorizará a ordem e o cotidiano. Significa que o prefeito da segunda cidade do País não terá um papel político marcante? Paes - São tarefas indissociáveis: ser um bom prefeito e, a partir daí, fortalecer o papel político. É claro que tenho um papel político, mas isso de fato não é minha prioridade. O Rio viveu um período grande de um prefeito que buscava um protagonismo político nacional que não rendeu benefícios para a cidade.  Estado - Qual vai ser o seu papel no projeto político do governador Cabral? Paes - É ser um bom prefeito, neste momento. A última coisa que estou pensando é em política eleitoral, em 2010. Penso em cuidar da cidade, que é prioridade. Estado - Mas ser um bom prefeito beneficiará a reeleição do governador em 2010.Paes - Claro, ele me apoiou de maneira muito explícita. Se eu estiver indo muito mal certamente vão cobrar dele. Acho que será bom para a cidade. O Rio vive uma oportunidade única de ter governos alinhados, há um desejo do Brasil de recuperar o Rio. É uma cidade de todos os brasileiros.  Estado - Que temas o senhor pretende levantar no cenário nacional? Paes - Temas de interesse local, que mexem com a vida das pessoas. Acho que o financiamento da saúde interessa às grandes cidades, assim como transportes e mobilidade urbana e gestão de regiões metropolitanas.  Estado - Qual sua posição sobre a reforma tributária, ainda sem consenso? Paes - Interessa a todos os entes da federação, mas não acredito em reforma tributária. Fui membro de duas comissões no Congresso e hoje não acredito mais que saia como um pacote. É um estica e puxa que acaba transformando a proposta de um novo sistema tributário num mostrengo. A reforma ideal é a que vem sendo feita aos poucos, desonerando a exportação, a produção, diminuindo os efeitos da guerra fiscal, que existe entre os municípios com o ISS, por exemplo.  Estado - O senhor concorda com Cabral de que o PMDB deve se aliar ao PT em 2010? Paes - É o melhor caminho. O Brasil é governado por uma coalizão protagonizada pelo partido do presidente, mas que tem no PMDB um aliado importantíssimo, musculoso, com força no governo, com espaço de poder, com capacidade de decisão. É uma coalizão que vem fazendo transformações no Brasil. Não tenho dúvidas de que é a que tem mais condições de disputar e vencer as eleições.  Estado - No momento, as sondagens apontam o governador Serra como favorito. Paes - Nem preciso dizer da minha opinião sobre Serra. É meu amigo, um quadro político que acho qualificadíssimo, preparado para governar o Brasil. No entanto, a aliança PMDB-PT, por representar a continuidade do que está dando certo, terá mais chances quando o jogo eleitoral começar. De fato, Serra, por suas qualidades e história, lidera, mas estamos muito longe das eleições. Eu comecei aqui no Rio em quinto lugar e venci.  Estado - Dilma reúne as mesmas qualidades que o senhor vê em Serra? Paes - Acho que sim. Cada vez mais a política brasileira vem se qualificando. Se buscam quadros preparados, com capacidade gerencial e de compreensão dos problemas do Brasil. A ministra Dilma é uma grande executiva, ninguém tem como discordar disso. Demonstra enorme talento na condução do governo. Tem sido uma senhora gerente das diversas funções do governo federal. Além disso, reúne as condições políticas para aglutinar as forças que podem vencer. A minha candidata é a Dilma. Ela tem aqui um cabo, um general eleitoral.

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