Dilma tenta administrar sucessão da Câmara

A presidente Dilma Rousseff tem até o final desta semana para recuperar a confiança do PMDB e tentar evitar tumulto na sucessão da Câmara dos Deputados, pois crescem as possibilidades de sucesso de candidaturas dissidentes ao candidato oficial da base aliada, o petista Marco Maia (RS).

ROSA COSTA E CHRISTIANE SAMARCO, Agência Estado

09 de janeiro de 2011 | 18h37

Líderes do PMDB dizem que estão sendo "assediados" por pelo menos três pré-candidatos: o líder do PR Sandro Mabel (GO) e os deputados Aldo Rebelo (SP) e Júlio Delgado (MG), ambos do PSB.

As nomeações no segundo escalão estão suspensas até o dia 1º de fevereiro, quando serão eleitos os presidentes das duas Casas do Congresso. O que o PMDB quer, e já, é evitar a repetição do que ocorreu na montagem do primeiro, quando os peemedebistas viram sua cota de poder minguar e o PT ganhar força com um placar de 17 ministérios contra seis, entre os quais duas pastas que comandara no governo Lula: Saúde e Comunicações.

O partido espera ter uma sinalização positiva da presidente ainda na reunião da coordenação política do governo. Os peemedebistas querem que Dilma lhes dê a garantia de que irão manter o comando de estatais estratégicas, sobretudo as do setor elétrico vinculadas ao ministério de Minas e Energia comandado pelo senador Edison Lobão (PMDB-MA).

A desconfiança e a insatisfação dos partidos governistas com o quinhão de poder que lhes coube no primeiro escalão são os principais combustíveis que alimentam as dissidências na Câmara. A alternativa que os peemedebistas consideram mais forte hoje é a do deputado Sandro Mabel, que já fala como candidato. "Todos dizem que o presidente da Câmara fala bem com os jornalistas. Então, vamos conversar", brincou ele, quando atendeu ao telefonema do Estado.

O deputado diz que está conversando e tem muitas amizades na Casa, mas que só oficializará seu nome "se continuar a insatisfação existente hoje nos partidos da base", incluindo aí seu PR. A estratégia dos insatisfeitos é multiplicar as candidaturas para levar a disputa ao segundo turno, com Maia.

Para consolo da presidente Dilma, o cenário da sucessão no Senado não traz nenhuma preocupação ao Palácio do Planalto. Afinal, depois de insistir em várias ocasiões que não seria candidato, o atual presidente José Sarney (PMDB-AP) trabalhou bem nos bastidores e hoje é o único nome colocado à sua própria sucessão. Deverá presidir o Senado pela quarta vez.

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