Dilma tem de vir à CPI, exige tucano

Para Virgílio, ela tem ?muito medo?; oposição acha que titular da Casa Civil deu informação errada sobre planilhas

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

05 de abril de 2008 | 00h00

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse ontem que o pronunciamento e a entrevista da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sobre o dossiê com gastos do governo Fernando Henrique Cardoso reforçou a sua convicção de que ela "teme muito" as explicações sobre o papel de seus assessores na produção do documento.Virgílio argumentou que Dilma procurou centralizar a sua fala em possíveis métodos de vazamento, não nos motivos que levaram o Planalto a coletar dados sobre ministros de FHC. "Meu Deus, ela mostrou o desgoverno, o descontrole e muito medo de que os fatos venham a ser apurados", opinou. O líder tucano disse que o procedimento da ministra explica por que ela não quer comparecer à CPI. "Ali, na comissão, ninguém tem obrigação de obedecê-la e se calar quando diz que vai embora, como ela fez com os jornalistas", destacou. Para ele, está claro, "mais do que nunca", que Dilma tem de ser ouvida pela CPI dos Cartões.Virgílio citou três pontos que a ministra não teria esclarecido: os responsáveis pela elaboração do dossiê, a forma exata como ocorreu o vazamento e as ações de intimidação da oposição. Segundo ele, está cada vez mais nítida a "impressão digital" da Casa Civil no episódio.Horas depois de a ministra fazer o pronunciamento e conceder a entrevista, no Planalto, os senadores da oposição na CPI já tinham uma motivação extra para convocá-la. A ministra fez questão de ressaltar que as planilhas do dossiê vazado têm uma coluna, intitulada "Observações", que não existiria nas planilhas dos documentos do banco de dados da Casa Civil. No exemplar das tabelas oficiais, mostrado ontem ao Estado, a última coluna tem a inscrição "Suprim" (Sistema de Suprimento de Fundos), e não "Observações".O problema, segundo um senador que não quis se identificar, é que só as planilhas novas, criadas a partir de 2005, têm a coluna com a palavra "Suprim". "Nos lançamentos das contas do governo anterior, de FHC, que serviram para montar o dossiê, a última coluna é mesmo destinada a ?Observações?. O que prova que o dossiê saiu mesmo dos dados do banco de informações da Casa Civil", afirmou o senador.O Suprim é um sistema de informática que armazena informações das despesas sobre suprimento de fundos das autoridades da Presidência. Foi desenvolvido a partir de 2005, por orientação do Tribunal de Contas da União, que pediu à Casa Civil, órgão responsável pelo armazenamento destes dados, que aperfeiçoasse a apresentação destas contas.REAÇÃOEm Curitiba, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) sugeriu ontem que a Polícia Federal assuma a investigação não apenas do vazamento, mas também da confecção do dossiê. "Até porque, se houve vazamento, houve crime. Não haveria vazamento de algo que não existe e a Polícia Federal tem tarefa de identificar quem ordenou", afirmou. Dias, que admitiu ter visto o dossiê, virou alvo preferencial dos governistas - que cobram dele esclarecimentos sobre os responsáveis pela veiculação dos dados do governo FHC. Para Dias, o fato de o ministro da Justiça, Tarso Genro, admitir a participação da PF na investigação é um avanço. "Mas ainda não houve assentimento da Casa Civil porque a ministra deve estar com algum receio", ressaltou. Segundo ele, o governo tem medo da PF desde o episódio da abertura do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa - que culminou com a queda do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci (PT-SP), hoje deputado. O tucano frisou que o governo, até agora, preferiu criar uma comissão de sindicância, buscando auxílio no Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI). "Esse instituto pode dar sustentação técnica, mas é necessária a presença da Polícia Federal em toda a investigação."

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