Dilma sobe, mas ainda depende de Ciro para levar disputa ao 2º turno

CNT/Sensus mostra Serra com 33,2% das intenções de voto ante 27,8% da ministra, em quadro de empate técnico

Clarissa Oliveira

02 Fevereiro 2010 | 04h09

Alvo de ofensiva do Palácio do Planalto para viabilizar uma eleição plebiscitária em outubro, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ainda tem força para ditar os contornos da disputa entre o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), na corrida presidencial. Números da última pesquisa do Instituto Sensus, divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), apontam um crescimento de 6,1 pontos para Dilma, colocando-a em situação de empate técnico com Serra. Esse quadro, entretanto, só existe com a permanência de Ciro na corrida presidencial.

 

O levantamento, que tem margem de erro de três pontos porcentuais para mais ou para menos, mostra Serra com 33,2% das intenções de voto, ante 27,8% de Dilma. Ciro aparece com 11,9%, seguido da pré-candidata do PV, senadora Marina Silva (AC), que tem 6,8%. Em novembro do ano passado, data do último levantamento divulgado pela CNT, Dilma tinha 21,7%. Serra, por sua vez, contabilizava 31,8%, tendo oscilado 1,4 ponto na nova pesquisa.

 

O efeito da entrada de Ciro na disputa persiste apesar de o deputado ter recuado na comparação com a pesquisa anterior. Afastado da mídia depois de esticar as férias de fim de ano, ele tinha 17,5% das intenções de voto em novembro. Marina, por sua vez, tinha 5,9%.

 

O empate técnico entre Dilma e Serra desaparece quando o nome de Ciro é retirado da simulação. No cenário traçado sem a candidatura do deputado, a vantagem do tucano sobre a petista passa a ser de 12,2 pontos. Serra vai a 40,7%, enquanto Dilma aparece com 28,5% e Marina com 9,5%.

 

Apesar da tendência, o Palácio do Planalto trabalha há meses para tirar Ciro da corrida. O governo e o PT apostam na polarização de projetos para impulsionar a candidatura de Dilma e preferem eliminar o risco de Ciro crescer em cima do eleitorado da ministra. Lula, que ainda aguarda uma resposta do deputado, prefere vê-lo como candidato ao governo de São Paulo.

 

CAMPANHA

 

Empenhada desde a virada do ano em comandar uma extensa agenda de pré-campanha, Dilma ultrapassou Serra, por exemplo, no Nordeste, reduto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no cenário que contempla quatro candidatos. Teve 38% das intenções de voto, contra 25,4% do tucano. Na pesquisa anterior, a performance da ministra na região era bem diferente - ela tinha 29,5% e o tucano, 30,7%. Dilma cresceu também no Sudeste, que inclui o Estado comandado por Serra. Foi de 17,4% para 22,7%. Mas o tucano mantém-se na dianteira na região, oscilando de 34,4% para 34,7%.

 

Dilma e Serra também aparecem tecnicamente empatados na pesquisa espontânea. Mas, pela primeira vez, a petista está na frente em números absolutos. Lula ainda lidera, com 18,7%. Dilma tem 9,5% e Serra segue com 9,3%. O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), que já se retirou da corrida, tem 2,1%, Marina tem 1,6% e Ciro, 1,2%.

 

Serra continua favorito caso a disputa vá ao segundo turno. No primeiro cenário, o tucano vence Dilma por 44% a 37,1%. Em novembro, ele tinha 46,8% e ela registrava 28,2%. Num segundo turno entre Serra e Ciro, o tucano venceria por 47,6% a 26,7%. Um terceiro cenário, prevendo embate entre Dilma e Ciro, dá a vitória à petista, por 43,3% a 31%.

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