Dilma só troca Luiz Sérgio após armistício no PT

Ministro diz à presidente que não tem apoio e entrega os pontos; Planalto avalia que o próprio partido atrapalha articulação política

Tânia Monteiro, Denise Madueño, Andrea Jubé e Adriana Fernandes

08 de junho de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff decidiu enfrentar o PT no Congresso e exigir que as bancadas parem de brigar antes de substituir o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio. Para Dilma, o partido que mais atrapalha a coordenação política é o próprio PT, hoje dividido em várias alas. A presidente sabe que os petistas estão por trás da insistência na demissão de Luiz Sérgio.

 

Numa conversa que teve nesta quarta-feira, 8,  com o ministro das Relações Institucionais, Dilma o informou que a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, empossada nesta quarta no lugar de Antonio Palocci, não cuidará da coordenação política. A própria presidente fará os contatos com os partidos. Abandonado pelo PT, Luiz Sérgio reconheceu que não reunia mais apoio da bancada para se manter no cargo.

 

Quando questionado sobre a crise da articulação política do governo, após reunião no Ministério da Fazenda nesta quarta, Luiz Sérgio foi enigmático: "Há dias de falar e há dias de calar".

 

Emparedados, e sem conseguir decifrar os próximos passos de Dilma, os petistas decidiram pedir ajuda ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem deverão reunir-se na próxima semana. Eles acham que Lula terá a capacidade de acabar com as brigas internas que não cessam desde que o deputado Marco Maia (RS) derrotou o líder do governo, Cândido Vaccarezza (SP), na disputa pela presidência da Câmara.

 

O papel de Lula será buscar a conciliação entre os grupos ou, então, promover um mínimo de união entre os deputados, a fim de viabilizar a indicação do sucessor de Luiz Sérgio. A avaliação é de que a escolha de um nome que não represente a maioria não resolverá os problemas da articulação política do governo. Vaccarezza é um dos nomes cogitados para a pasta, mas hoje o parlamentar não tem respaldo da maioria da bancada petista.

 

Beligerantes, mas na busca de um consenso, os grupos do PT no Congresso estão levantando os nomes que poderão substituir o ministro.

 

Para o lugar de Luiz Sérgio está cotado, além de Vaccarezza, o senador Wellington Dias (PT-PI). A bancada da Câmara é contra a escolha de outro senador para o ministério. Caso Vaccarezza seja escolhido, o PT pretende indicar para a liderança do governo na Câmara os nomes do deputado Pepe Vargas (RS) ou do ex-presidente da Casa Arlindo Chinaglia (SP).

 

PMDB. O vice-presidente Michel Temer, presidente licenciado do PMDB, disse nesta quarta que seu partido está de fora da disputa pela articulação política. Mas o partido sentiu-se no direito de vetar o nome da atual ministra da Pesca, Ideli Salvatti, defendido por setores do PT do Senado para o lugar de Luiz Sérgio.

 

No PMDB, a avaliação é de que Vaccarezza é um bom nome para suceder Luiz Sérgio, apesar das duas derrotas seguidas do líder do governo - a disputa pela presidência da Câmara e a votação do Código Florestal.

 

Os peemedebistas gostam de Vaccarezza e veem nele um bom negociador. Acham que, na coordenação política, ele teria diálogo certo com todos os partidos. O PMDB diz que o êxito de um coordenador no Planalto não depende de nomes, mas de uma reordenação de espaços.

 

Enquanto titular da Casa Civil, Palocci não deixou que o titular da coordenação atendesse os pleitos feitos pelos partidos. Como Gleisi Hoffmann já disse que a coordenação política não será sua função central, quem ocupar o cargo terá de fazer as negociações com o Congresso. Para o presidente do PT, Rui Falcão, agora a atuação de Luiz Sérgio será avaliada.

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