Dilma só faz 20% do que fez Lula pela reforma agrária, diz MST

Movimento dos Sem-Terra divulga balanço em que compara número de assentamentos criados no atual governo com os do primeiro ano da gestão do ex-presidente e avalia 2011 como ano 'ruim'

José Maria Tomazela, de O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2011 | 19h22

SOROCABA - Em seu primeiro ano de governo, a presidente Dilma Rousseff só fez 20% do que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou pela reforma agrária no primeiro ano de mandato, diz o Movimento dos Sem-Terra (MST). Antigo aliado do governo petista, o MST divulgou balanço nesta quinta-feira, 22, em que avalia 2011 como um ano "ruim para a reforma agrária". Apenas 35 áreas foram transformadas em assentamentos, segundo o principal movimento de luta fundiária do País, beneficiando somente seis mil famílias. No primeiro ano de mandato de Lula foram criados 135 assentamentos para 9.195 famílias, segundo o balanço do MST.

 

O mau desempenho é atribuído à ofensiva das forças do capital e à falta de iniciativa política do governo federal. "Ao mesmo tempo, 90 processos de desapropriação de terras amarelam nas mesas da Casa Civil e da Presidência da República. Para que estes processos, tecnicamente concluídos, transformem-se em assentamentos basta a assinatura da presidenta Dilma", alega o movimento. "Durante todo o ano, realizamos mobilizações para denunciar a lentidão da reforma agrária, a inoperância do Incra e os crimes do agronegócio." Segundo a nota, no mês de abril, foram mais de 70 ocupações de latifúndios, além de marchas e acampamentos em 19 Estados. Consultado sobre os números, o Incra não havia dado retorno até o início da noite.

 

O MST elegeu como prioridade para 2012 a continuação da luta contra as mudanças no Código Florestal contidas no projeto do senador Luiz Henrique (PMDB), com votação prevista para o início de março. "Nesse período, temos a tarefa de fazer uma grande jornada de lutas, com a participação de todos os setores articulados na defesa das florestas, para impedir a aprovação do texto e pressionar para que a presidenta vete as mudanças que criem condições para ampliar o desmatamento e a controle do capital sobre a nossa agricultura." O combate ao uso de agrotóxicos também entra na pauta do ano.

 

Com a debandada nas bases, já que o movimento assistiu a um forte esvaziamento nos acampamentos rurais, o MST busca agora a articulação com grupos urbanos para o que chama de reformas estruturais na sociedade. No documento assinado pela direção nacional, o movimento conclama por uma grande mobilização da sociedade em torno de um projeto popular para o Brasil. "Temos acompanhado com bons olhos o aumento da quantidade de greves e mobilizações de diversas categorias por aumento de salários e melhores condições de trabalho, assim como os protestos dos estudantes nas universidades públicas." Ressalvado o caráter "economicista" das greves, o MST vê abrir-se um horizonte para intensificar as lutas "criando perspectivas de um debate político com a sociedade brasileira sobre a necessidade de transformações profundas no nosso país".

 

 

 

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