Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dilma sinaliza que Secom vai pulverizar distribuição de publicidade oficial

'Em suas práticas, a Secom respeitará sempre o direito de todos à informação e ao conhecimento', afirmou a presidente em solenidade de posse de Edinho Silva

Rafael Moraes Moura e Lisandra Paraguassú, O Estado de S. Paulo

31 de março de 2015 | 16h26

Atualizado às 22h19

Brasília - Pressionada pelo PT a “democratizar” a verba publicitária do governo e a adotar a regulação da mídia, a presidente Dilma Rousseff sinalizou nesta terça-feira, 31,que o Palácio do Planalto deve pulverizar a distribuição dos recursos. Na posse relâmpago do novo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Edinho Silva (PT), a presidente ressaltou ainda que o governo federal tem a obrigação de explicar à população as razões do maior rigor nos gastos públicos e fez uma defesa da liberdade de imprensa, que segundo ela é uma das “pedras fundadoras da democracia”. 

No governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Palácio do Planalto iniciou a operação de pulverização da verba publicitária oficial, atendendo veículos regionais, menores e mais simpáticos ao governo, como estratégia de reduzir a influência da grande mídia. Neste ano, segundo o Planalto, o orçamento para publicidade da secretaria é de R$ 187,5 milhões.

“Em suas práticas, a Secom respeitará sempre o direito de todos à informação e ao conhecimento. Verá com satisfação e apoiará, nos marcos da nossa legislação, a expansão das teias de opiniões, olhares e interpretações da realidade à disposição dos brasileiros”, discursou Dilma. “Adotará o mais rigoroso cuidado quanto à veiculação de informações públicas e à publicidade oficial. O governo tem o dever de levar informação pública à população, deve mostrar, expor suas ideias, propostas e realizações. Deve explicar suas decisões, defender seus critérios. Deve conversar com o povo por todos os meios legítimos que tiver à sua disposição.”

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Com cerca de 15 minutos de duração, a posse de Edinho foi marcada pela ausência do jornalista Thomas Traumann, que pediu demissão na quarta-feira passada, após o portal Estadão.com.br revelar o conteúdo de um documento reservado do Planalto que via “caos político” na atual conjuntura e criticava a “comunicação errática” do governo federal. 

Critérios. Única a discursar na cerimônia, Dilma destacou que “em respeito” aos brasileiros de todas as camadas sociais e culturais e de todos os pontos do País, a Secom adotará critérios “justos e corretos” na veiculação dos seus serviços. 

“A liberdade de expressão, da qual a liberdade de imprensa é uma pedra fundamental, é a grande conquista do processo de redemocratização do nosso País. Liberdade de expressão e liberdade de imprensa são, sobretudo, o exercício do direito de ter opiniões, do direito de criticar e apoiar tanto políticas quanto governo. É liberdade, também, de ir às ruas reivindicar direitos ou simplesmente protestar”, disse a presidente. 

Ex-tesoureiro da campanha à reeleição de Dilma, Edinho reforçou o discurso da presidente e afirmou, em entrevista aos jornalistas, que vai se nortear “pelo critério técnico” na distribuição de recursos da pasta e prometeu blindar as decisões da pasta de “critérios subjetivos”.

“Serei um gestor extremamente zeloso para garantir a boa utilização dos recursos públicos e fazer com que as campanhas cheguem ao maior número possível de pessoas, levando em conta a diversidade etária e cultural, as regionais, para que a maior parcela possível da população possa ter acesso aos feitos e realizações do governo”, disse o novo titular da Secom.

A escolha de Dilma por Edinho, respaldada por Lula, marca uma maior influência do PT sobre a “batalha da comunicação” pretendida pelo Planalto. O plano inicial da presidente era nomear o ex-tesoureiro para a Autoridade Pública Olímpica (APO), mas, diante de ameaças de retaliação da base aliada, Dilma mudou os planos – a indicação para o órgão tem de passar por sabatina no Senado.

Caos. Questionado sobre a polêmica em torno do documento interno da Secom, Edinho respondeu que quer pensar a comunicação “daqui para frente”. 

“Não acho que isso (o documento interno do Planalto) seja importante nesse momento. Quero pensar daqui pra frente, não quero pautar as minhas iniciativas olhando pelo retrovisor. Quero olhar pelo futuro”, disse o ministro. “Penso que a comunicação do governo será feita no cotidiano. Não tenho dúvida que é cotidiana, se dá todos os dias e deve ocorrer pelos veículos de comunicação. Por isso temos uma postura de valorização dos veículos.”

Segundo o petista, na sua gestão “não há tema proibido, não tem contradição que não possa ser explicada, não tem problema que não possa ser esclarecido”. “Meu principal instrumento de trabalho é o diálogo. Estamos vivendo um momento de turbulência, de ajustes, mas eu não tenho dúvida de que esse governo tem credibilidade e pode dizer ao povo brasileiro aquilo que será feito no nosso futuro”, destacou. “Não existe política de ministério, existe de governo, tem de estar integrada.”

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