Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dilma se reúne com Lula e senadores nesta terça para traçar estratégias contra o impeachment

Objetivo do encontro é debater articulação política no Congresso para tentar derrotar o processo de afastamento e intensificar a oposição ao governo comandado por Michel Temer

Vera Rosa e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2016 | 20h28

BRASÍLIA - A presidente afastada Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúnem na noite desta terça-feira, 24, no Palácio da Alvorada, com senadores do PT e de outros partidos que votaram contra o impeachment. O encontro tem o objetivo de traçar estratégias de articulação política no Congresso, na tentativa de barrar a deposição de Dilma e intensificar a oposição ao governo comandado por Michel Temer.

Nesta quarta-feira, 25, senadores petistas vão tentar suspender a reunião da Comissão Especial do Impeachment, sob a alegação de que, antes, é preciso investigar o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que foi afastado do Ministério do Planejamento depois da divulgação da gravação de uma conversa entre ele e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado

No diálogo, ocorrido em março – semanas antes da votação do impeachment de Dilma na Câmara –, Jucá disse ser preciso mudar o governo para “estancar essa sangria”, numa referência à Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Senadores do PT e também de partidos que votaram contra o impeachment, como o PC do B, avaliam que o desgaste de Jucá será seguido por outras denúncias, envolvendo peemedebistas, e vai “desestabilizar” a gestão de Temer. Sob a coordenação de Lula, traçam agora cenários para virar o jogo e impedir que Dilma seja definitivamente afastada no julgamento final do Senado, previsto para ocorrer em setembro.

“Não podemos deixar que uma quadrilha parlamentar tente afastar uma presidente honesta”, atacou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). “Vou me defender amanhã (quarta-feira), em discurso no plenário do Senado, e estarei à disposição para debater”, afirmou Jucá.

'Golpista'. Na segunda-feira, 23, em sua segunda agenda pública depois da abertura do processo de impeachment, a presidente afastada afirmou que as gravações envolvendo o agora ministro afastado Romero Jucá deixam "evidente o caráter golpista e conspiratório que caracteriza o processo de impeachment". Dilma disse que a gravação demonstrava a necessidade de afastá-la do cargo para interromper as investigações da Lava Jato e que esse sempre foi o objetivo do grupo do vice-presidente Michel Temer. "Se alguém ainda não tinha certeza de que há um golpe em curso, baseado no desvio de poder, as informações de Jucá sobre reais objetivos do impeachment eliminaram qualquer dúvida", afirmou.

Dilma criticou o governo interino de Temer, disse que em pouco mais de uma semana ele anunciou medidas que contrariam programa que foi aprovado e teve, muitas vezes, que recuar em decisões. "O presidente provisório não foi autorizado pelo povo a mexer em programas sociais para diminuí-los. Ele não foi autorizado pelo povo", disse. "Ninguém deu a ele o direito de ser neoliberal na economia e conservador em tudo mais."

Nesta terça, a deputados e senadores da base aliada, Temer disse que quando houver algum equívoco governamental “nós reveremos este fato”. “Quando eu perceber que houve um equívoco na fala, um equívoco na condução do governo, eu reverei essa posição. Não tem essa coisa de não errei, não aceito errar, posso ter errado e procurarei não errar. Mas se o fizer, consertá-lo-ei”, disse o presidente em exercício.

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