Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dilma se reúne com coordenação política para discutir estratégias

Presidente se reuniu por uma hora e meia com seis ministros no Palácio da Alvorada para debater temas como a reprogramação da agenda de viagens e evitar eventuais derrotas no Congresso

Tânia Monteiro e Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

18 Fevereiro 2015 | 20h25


Atualizado às 20h41

BRASÍLIA - Depois de passar os feriados de carnaval na Bahia, a presidente Dilma Rousseff se reuniu durante cerca de uma hora e meia, no Palácio da Alvorada, com os seis ministros que integram a coordenação política de seu governo. Na pauta, a reprogramação de agendas de viagens, seguindo aconselhamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas quais defenderia seu governo em seus discursos, além do pacote fiscal e da estratégia com a base aliada para tentar, por exemplo, evitar a derrubada do veto da Medida Provisória que reajusta o imposto de renda em 6.5%.

Uma das ideias do governo é tentar adiar a votação do IR, que está prevista para a semana que vem. Empurrando a votação para março, o governo poderá ganhar tempo para tentar um acordo para que a correção seja de um índice menor. O ideal para o Planalto é manter o reajuste atual de 4,5%. 

A presidente Dilma quer ainda reforçar a chamada "agenda positiva" para tentar reverter o clima de animosidade com o Congresso e com os agentes econômicos. A avaliação é que as sucessivas derrotas impostas pelos parlamentares ajudaram a derrubar a avaliação do governo. Além disso, o pessimismo da economia que tomou conta do País, apesar dos esforços e contatos feitos pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, ainda não surtiram efeito.

Na reunião desta Quarta-feira de Cinzas estavam presentes os ministros da Casa Civil, Aloízio Mercadante, da Defesa, Jaques Wagner, das Relações Institucionais, Pepe Vargas, da Secretaria Geral, Miguel Rossetto, da Justiça, José Eduardo Cardozo, e das Comunicações, Ricardo Berzoini. 

Dilma quer acertar com seus ministros a condução dos trabalhos no Congresso, a partir da semana que vem, para tentar barrar as votações consideradas problemáticas. O ministro Pepe Vargas já agendou reuniões para a próxima terça-feira com os lideres da base da Câmara e do Senado. Acompanharão Pepe os ministros Carlos Gabas, da Previdência, Manoel Dias, do Trabalho, Nelson Barbosa e Rossetto. O objetivo deste encontro é basicamente defender as mudanças nos benefícios trabalhistas e alegar que elas imprescindíveis para preservar os programas sociais. No mesmo dia está agendado uma sessão do Congresso para analisar os vetos presidenciais, entre eles, o do IR.

Na semana que vem o ex-presidente Lula estará em Brasília e os dois poderão se encontrar novamente. Na semana passada, na conversa de Lula com Dilma, ele prometeu ajudá-la na articulação política do governo com o Congresso, na tentativa de reverter o clima de animosidade entre o PT e PMDB após a vitória de Eduardo Cunha (RJ) para o comando da Câmara. Lula agendou um cronograma de encontros que terá em Brasília na semana que vem e pretende se reunir também com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e com o líder do partido na Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), além da bancada de senadores do PT.

Na avaliação do ex-presidente, o Palácio do Planalto precisa agir rápido para evitar que a fratura na base aliada se aprofunde e a tese do impeachment ganhe força, no rastro do escândalo de corrupção na Petrobrás. Desde que foi eleito presidente da Câmara, no dia 1.º, derrotando o petista Arlindo Chinaglia (SP), Cunha impôs vários reveses ao governo. Além de limpar o terreno com o PMDB no Senado, Lula também quer conversar com o próprio Cunha, embora não haja encontro ainda agendado.

Para defender o ajuste e trabalhar para melhorar a sua popularidade, Lula quer que Dilma retome as viagens pelo País o mais rápido possível. As agendas começaram a ser desenhadas, mas ainda não foram fechadas. Lula acha que Dilma deveria aproveitar seus discursos, nestas viagens, para explicar à população a importância do ajuste fiscal e até das Medidas Provisórias que endureceram o acesso a benefícios trabalhistas, falar das fraudes que existem e argumentar que elas precisam acabar. Mas tudo tem de ser falado em linguagem didática, com exemplos da vida do dia a dia, da vida real das pessoas, e mostrar por que os critérios atuais precisam ser mudados. Na opinião de Lula, uma agenda de viagens é um importante antídoto contra a queda de popularidade, como aconteceu com Dilma. Lula quer que Dilma visite os redutos onde ela teve boa votação e faça visitas a obras em andamento para mostrar que o governo não está parado ou à reboque das crises políticas e econômicas.

Para o ex-presidente, Dilma tem de reagir logo porque não pode esperar as manifestações de 15 de março contra o governo, porque não se sabe com que força elas virão. Há temor de que este movimento, que já se propala pelas redes sociais, possa tomar corpo.

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