Dilma se nega a comentar problema com PSD em São Paulo

Em viagem para o Peru, presidente evitou tratar do incômodo político envolvendo as duas siglas desde que o esquema de desvio de impostos na prefeitura da capital paulista foi revelado

Tãnia Monteiro, enviada especial ao Peru, O Estado de S. Paulo

11 de novembro de 2013 | 19h09

Lima - A presidente Dilma Rousseff se negou a comentar o incômodo político entre o prefeito Gilberto Kassab, do PSD, e o PT, em São Paulo, com a revelação do escândalo de desvio de ISS na prefeitura da capital paulista. "Não, não, isso não", desabafou a presidente, evitando tratar do tema que pode ameaçar a aliança política entre os dois partidos."Estou aqui fazendo uma visita de Estado e vocês estão perguntando de eleição", disse a presidente Dilma, em rápida conversa com a imprensa, sem querer comentar sobre assuntos internos do Brasil, após a assinatura de acordos entre Brasil e Peru.

No domingo, 10, o jornal Folha de S. Paulo publicou uma matéria com o prefeito Fernando Haddad na qual ele afirma que a administração de Kassab era um "descalabro". O ex-prefeito respondeu e disse que "descalabro" foi o primeiro ano da administração do petista. Incomodado por aparecer nas gravações dos auditores que desviaram recursos na prefeitura, Kassab procurou o presidente estadual do PT, Edinho Silva, para pedir que o partido "enquadre" o prefeito Fernando Haddad. Para Kassab, Haddad é o grande entusiasta da avalanche de notícias sobre o desbaratamento da quadrilha.

Segundo aliados do ex-prefeito, Kassab teria argumentado que o enfraquecimento de sua imagem agora também seria prejudicial ao PT na disputa ao governo do Estado nas eleições de 2014, uma vez que ambos querem tirar o PSDB de Geraldo Alckmin do Palácio dos Bandeirantes, onde está há quase 20 anos. Neste domingo, 10, o presidente do PT paulista, Edinho Silva defendeu a aliança com Gilberto Kassab e pediu o fim da utilização política das apurações do esquema que pode ter desviado até R$ 500 milhões do Imposto Sobre Serviços (ISS) na prefeitura paulistana. "O PT tem de seguir valorizando Kassab como aliado, uma liderança leal e o PSD como um partido fundamental para o governo Dilma", disse.

Reforma ministerial. Questionada se para o início do ano é possível que vários ministros deixem o governo para disputar eleições em seus Estados, a presidente Dilma concordou. "É muito provável", repetiu. Mas, ao ser indagada se os ministros que saírem serão substituídos por seus secretários-executivos para que ela toque com eles o ultimo ano de mandato, a presidente respondeu: "não, não. Eu vou fazer substituições". A presidente não quis dar maiores explicações sobre quais seriam as mudanças justificando que já tinha dado esta notícia.

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