Dilma sai em defesa do PMDB e diz que corrupção pode acontecer em 'todos os lugares'

'A questão da corrupção não pode ser confundida com um partido ou uma sigla', disse a pré-candidata do PT à Presidência da República

Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2010 | 19h28

BRASÍLIA - No dia em que o governo começou a acertar com a cúpula do PSB a retirada do deputado Ciro Gomes da disputa presidencial, Dilma Rousseff fez questão de defender o PMDB das críticas do ex-ministro. Em entrevista à Rádio 730, de Goiânia, Dilma afirmou que a corrupção pode acontecer "em todos os lugares" e deu uma estocada no colega, ao dizer que ninguém deve ter a "soberba" de associá-la a um determinado partido.

 

"A questão da corrupção não pode ser confundida com um partido ou uma sigla", comentou a candidata do PT à Presidência. "Os seres humanos são diferentes, a corrupção é uma questão de desvio de conduta e isso pode acontecer em todos os lugares. A gente não pode ter essa soberba ao analisar os outros."

 

Magoado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o PT, que o isolaram ainda na largada da corrida ao Planalto, Ciro bombardeou a parceria dos petistas com o PMDB. Dono de língua afiada, ele chegou a dizer que aliança entre o PT e o PMDB era um "terreno fértil" para a corrupção e um "roçado de escândalos semeados".

 

Apesar de elogiar Ciro e destacar que respeita suas opiniões, Dilma deixou claro que o PMDB é seu aliado preferencial na campanha. Depois de muita polêmica em relação ao nome do vice em sua chapa, a petista afirmou que o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB), é mesmo o mais cotado para fazer dobradinha com ela.

 

Dilma garantiu que o governo Lula sempre teve um "cuidado muito especial" no combate à corrupção e foi o que mais desencadeou operações da Polícia Federal para investigar e punir culpados. Disse que antes da gestão do PT só os pobres eram presos, mas em nenhum momento citou o escândalo do mensalão, que atingiu o Planalto e dizimou a cúpula do partido em 2005.

 

"Eu acredito que o PMDB e o PT deram grandes contribuições ao País, para a democracia", insistiu Dilma.

 

MODELINHO

 

Em mais de uma ocasião ela tentou amenizar as dificuldades para reproduzir nos Estados a aliança nacional com o PMDB. Ao contrário de Lula, que disse ser praticamente impossível o candidato ao Planalto subir em dois palanques no mesmo Estado, Dilma condenou o enquadramento.

 

"Cada situação regional vai ser diferenciada", argumentou a petista. "Não é possível ter uma regra geral no Brasil, na qual todo mundo segue aquele modelinho e aí, quando a coisa não dá certo, as pessoas se surpreendem. Eu acho que não pode ser assim."

 

Para Dilma, é possível conviver com dois palanques, desde que haja um acordo de procedimentos. Na avaliação da cúpula do PT, a pior situação ocorre em Minas Gerais - o segundo maior colégio eleitoral do País, depois de São Paulo. Lá, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, vão disputar uma prévia, no dia 2 de maio, para decidir quem deve ser o candidato do PT ao governo mineiro.

 

O problema é que o PMDB exige a cabeça da chapa e quer emplacar no cargo o senador Hélio Costa (MG). "Em Minas haverá palanque único para Dilma", assegurou o presidente do PT, José Eduardo Dutra. "Está tudo bem encaminhado. Minas é vital para o PMDB e o PT sabe disso", emendou o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).

 

Ao que tudo indica, porém, o acordo de cavalheiros não foi combinado com os mineiros. "Eu vou encaminhar a proposta de prévia e palanque duplo para Dilma", pregou o deputado Reginaldo Lopes, presidente do PT mineiro e aliado de Pimentel. "Em Minas não vejo outro jeito. Tem que ser assim."

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