Dilma sai, destaca continuidade e afirma que não vai fugir de debates

De acordo com a ex-ministra, 'nós participamos da mudança do Brasil, mas nós também mudamos. Cada um de nós é uma pessoa melhor do que entrou'

Estadão.com.br

31 de março de 2010 | 11h46

BRASÍLIA - Depois de sete anos e três meses no governo, a pré-candidata do PT, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), deixou o cargo oficialmente nesta quarta, 31. A cerimônia de despedida foi presidida por Lula, que deu posse aos novos ministros. Logo depois, em entrevista, ela afirmou que não vai fugir de debates nas eleições.

 

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Em seu discurso, logo no início, a pré-candidata disse que não iria falar de improviso para não chorar. "Vão acontecer duas coisas: uma parte vou esquecer, e eu vou chorar muito". Dilma exaltou Lula ao afirmar que o presidente é "o mais brasileiro" dos líderes da história do País.

 

Sem conter a emoção, a agora ex-ministra-chefe da Casa Civil disse que "o governo do senhor é um momento importante, de ápice, de vitória". "Talvez o mais longo momento de vitória de todos esses que lutaram experimentaram em sua vida." Ela citou as lutas contra a ditadura e por redemocratização, direitos, igualdade, justiça e liberdade. "A geração que me sucedeu conseguiu realizar seus sonhos. Seu governo mostrou que um País só pode ser soberano se seu povo tiver condições de sonhar".

 

Dilma também criticou aqueles que ela classificou como "os viúvos do Brasil que crescia pouco". Segundo ela, essas pessoas fingem ignorar que as mudanças no Brasil são substanciais. "Elas têm medo. Não sabem o que oferecer ao povo, que hoje é orgulhoso, tem certeza que sua vida mudou e não aceita mais migalhas, parcelas e projetos inacabados", disse.

 

A pré-candidata acrescentou que, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o povo não é coadjuvante. "É o centro das nossas atenções." "Sob a sua liderança, presidente, que fez tanto, o Brasil está pronto pra fazer muito mais", afirmou a pré-candidata do PT. "Nós nos despedimos, mas não somos aqueles que estão dizendo adeus, somos aqueles que estão dizendo até breve", declarou.

 

"Nós fizemos parte da Era Lula. Vamos carregar essa história e contar para os nossos netos." De acordo com Dilma, "nós participamos da mudança do Brasil, mas nós também mudamos. Cada um de nós é uma pessoa melhor do que entrou".

 

Ao término de sua fala, a ex-ministra agradeceu ao presidente "por permitir esse encontro com o povo brasileiro, que fez o Brasil mais próximo do seu povo e provou o que nos sempre acreditamos, que o povo brasileiro é um povo extraordinário, que só precisava de apoio".

 

 

Depois da cerimônia, em entrevista, disse que vai participar dos debates na TV durante a campanha presidencial. Segundo ela, o debate tem um papel fundamental no processo de escolha. "Ninguém vai se esconder de debate", reforçou a ministra. Ao ser questionada se ela estava preparada para enfrentar um voo solo e não ter do lado a presença constante do presidente Lula, Dilma disse que dificilmente um projeto de governo é um voo solo. "Eu não pretendo me desvencilhar do governo do presidente Lula. Participar dele, para mim, foi um momento muito importante da minha biografia. Segundo ela, o seu voo solo daqui para a frente será com as pessoas que já vem trabalhando no projeto de governo do presidente Lula.

 

Dilma disse que a experiência que teve no governo lhe dá forças para enfrentar novos desafios. "Tudo o que eu passei no governo me dá muita força interior para enfrentar o que vem por aí", afirmou. Ela disse que no embate com a oposição não vai baixar o nível e usar instrumentos que não honram a transição democrática. "Por isso eu acho que não é que ele (embate) tenha que ser duro. Ele tem que ser firme e transparente", disse Dilma, reforçando que o importante é deixar o mais claro possível os projetos que estão em disputa, "para o povo poder decidir".

 

Ela reiterou que se sente preparada para disputa presidencial, mesmo sendo sua primeira campanha política. "Fui preparada na vida para coisas muito mais duras do que disputar uma eleição. A minha vida não foi uma coisa muito fácil. Acho que a eleição até é um momento muito bom,porque é o momento de exercício da democracia", afirmou. Segundo ela, na democracia as coisas são mais produtivas, mais generosas e menos opressivas. "Difícil mesmo era aguentar a ditadura", disse.

 

Atualizada às 20h30

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