Dilma Rousseff nega conflito com PMDB e diz que partido nunca lhe pediu cargos

Presidente eleita também falou que pretende ter 'uma negociação de alto nível' com governadores da oposição

Sandra Manfrini e Leonêncio Nossa, Agência Estado

03 de novembro de 2010 | 12h17

A presidente eleita Dilma Rousseff afirmou hoje que o seu governo vai se pautar não por uma partilha, "mas por um processo de transição de uma equipe única". Segundo ela, essa é a visão também do seu vice, Michel Temer. "Tenho visto no PMDB toda uma postura favorável a essa visão", disse.

 

Dilma negou que haja conflito com o partido de Temer, e afirmou que o PMDB nunca chegou a ela pedindo cargo. Segundo a presidente eleita, durante todo o processo eleitoral, não houve conflito nesse sentido. Sobre o anúncio de nomes para os cargos do seu futuro governo, Dilma disse que fará isso com muita tranquilidade.

 

Questionada sobre uma data em que será feito esse anúncio, Dilma disse que não seria "doida" de marcar uma data para isso, pois senão seria cobrada no caso de não cumprir o prazo. "Vocês (imprensa) serão os primeiros a saber desses nomes", garantiu Dilma, ressaltando que sabe "perfeitamente" que precisa da imprensa para que a população tome conhecimento de seus anúncios. Dilma disse ainda que não tem nomes para os ministérios do seu governo e que "não cometeria a temeridade de lançar nomes individualmente".

 

Relação com governadores

 

Dilma Rousseff também falou que pretende ter "uma negociação de alto nível" com governadores da oposição. Ela relatou ter recebido um telefonema, após a eleição, do governador eleito de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin, e revelou ter ficado satisfeita. "Eu fiquei contente porque recebi a ligação muito correta e republicana do governador eleito do Estado de São Paulo", disse.

 

A presidente eleita destacou que Alckmin demonstrou que pretende ter um relacionamento "correto" com o governo federal. Ela fez comentários sobre o telefonema de Alckmin quando respondia a uma pergunta sobre se iria propor ao Congresso a volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que contempla recursos para a saúde. Dilma disse que esse debate é uma necessidade mais dos Estados do que do governo federal. Ela afirmou que não pretende enviar ao Congresso a recomposição da CPMF, mas que terá negociações com os governadores sobre o tema.

 

Leia abaixo a íntegra do que Dilma falou sobre o trabalho de transição e as relações políticas do novo governo: 

 

"Eu não estou falando agora sobre continuidade de nenhum ministério do ponto de vista das pessoas. Eu estou falando do ponto de vista da continuidade das políticas. Eu não considero que ainda está maduro o processo de discussão a respeito dos nomes que integração os ministérios e o primeiro escalão da administração, da alta administração do País. Agora tenho critérios, eu externei isso no meu discurso, eu vou exigir competência técnica vou exigir também um desempenho, um histórico de pessoas é...que não tenham problemas de nenhuma ordem e vou exigir também, obviamente, eu considero importante o critério político. Eu já contei para mais de uma de vocês o que eu assisti uma vez num dos governos Latino americano. Eu perguntei onde o ministro ia passar o Natal e ele disse em casa. E eu pensei que a casa fosse uma das cidades do pais dele e ele me respondeu que ele e a família dele moravam em Miami. Então ai eu vou dizer uma coisa para vocês eu faço questão que os ministros tenham vínculos muitos fortes com o Brasil e tenham vínculos muito fortes com a política que eu defendo."

 

"Tenho conversado muito com o vice-presidente Michel Temer e nós temos formado uma grande convicção, que é a seguinte: esse é um governo que vai se pautar não por um partilha, mas por um processo de construção de uma equipe única. Quero reiterar, tenho visto por parte do PMDB toda uma iniciativa positiva favorável a essa concepção. Aí vocês me desculpem, mas não dá, porque ou há um problema de comunicação comigo, nunca, quero aqui atestar, o PMDB chegou para mim propondo e pedindo cargo. Até agora, estão participando do processo de transição como participaram de todo processo eleitoral. Sem conflito, extremamente participativo e acho que a liderança do meu vice, nosso presidente da Câmara, Michel Temer, ela é muito importante para garantir que haja esse enfoque."

 

"Não quero anunciar fragmentado. Não sou doida para dizer para vocês que é dia 18 de qualquer mês, a tantas horas. Se eu anunciar uma hora depois, vocês vão falar assim: presidente eleita adia o seu lançamento por uma hora. Não. Eu quero avisar para vocês que eu vou anunciar os nomes com muita tranquilidade e vocês serão, sem dúvida nenhuma, os primeiros a saber. Até porque eu sei perfeitamente que eu dependo de vocês para que a população saiba. Então, é garantido que vocês serão os primeiros e as primeiras."

 

"Não tenho nenhum nome e não cometeria jamais a temeridade de lançar nomes individuais."

 

"Nós vivemos num regime presidencialista e os ministros têm que ser competentes. É isso que eles têm de ser. E não sombras."

 

"Eu não pretendo enviar ao congresso a recomposição da CPMF mas não, não posso dizer, esse País vai ser objeto de um processo de negociação com os governadores. Isso ocorrerá. Eu terei diálogo com os governadores. Aliás, fiquei muito contente porque recebi uma ligação muito correta e republicana do governador eleito de São Paulo, o nosso governador Alckmin, e que ele apresenta o que eu considero que é a forma correta de relacionamento. Pretendo ter com ele e com os governadores não só da situação, mas da oposição uma negociação em alto nível. Vou estar atenta para as necessidades deles. Do ponto de vista, vou repetir, do governo federal não há uma necessidade premente agora do ponto de vista dos governadores eu sei que há esse processo. Eu não posso ir além disso."

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