Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Dilma reunirá ministério e falará aos ministros nesta quarta de manhã

No encontro, também será discutida a possibilidade de demissão coletiva por parte da equipe ministerial em caso afastamento da presidente

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2016 | 21h02

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff convocou uma reunião ministerial para esta quarta-feira, às 10 horas, dia em que deve ser votado, no plenário do Senado, o seu afastamento do Palácio do Planalto. No encontro, a presidente vai falar aos seus ministros, e pretende repetir, mais uma vez, o discurso de que está sendo afastada injustamente porque não cometeu crime de responsabilidade ou qualquer outro tipo de crime.

Também será discutida a possibilidade de demissão coletiva por parte dos ministros. A ideia neste momento, no entanto, é que quem quiser peça sua demissão, sem imposição. Uma edição extra do Diário Oficial está programada para ser editada antes de a presidente Dilma deixar o Planalto, caso o Senado aprove a abertura do processo de impeachment.

Muitos ministros, secretários-executivos e assessores em nível DAS 5 e 6, não só do Palácio do Planalto, como dos ministérios, já apresentaram suas cartas de demissão, que estão paradas na mesa da ministra-chefe da Casa Civil interina, Eva Chiavon. Outros muitos servidores querem ser exonerados, ao invés de pedir demissão, para terem direito ao retorno às suas origens.

Dilma, que dedicou grande parte desta terça-feira a discutir a sua defesa, em conversas com o ministro da Advocacia Geral da União, José Eduardo Cardozo, deve jantar na noite desta terça-feira, 10, no Palácio da Alvorada, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os ministros Jaques Wagner (Gabinete da Presidência) , Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e José Eduardo Cardozo (Advocacia-Geral) também participarão do encontro que discutirá os próximos passos da presidente.

Apesar da pressão do PT, Dilma avisou que não vai descer a rampa do Planalto. A presidente considera que o ato poderia significar o final do seu governo enquanto, o que ela quer é passar o recado que esta saída é ilegal e será transitória. A ideia é que Dilma saia pela porta lateral com uma claque, na praça dos Três Poderes, composta por mais de dez mil pessoas ligadas a movimentos sociais e centrais sindicais.

A forma como deve receber o comunicado de afastamento, caso seja aprovado, também ainda não foi definida pelo Planalto. Existe a possibilidade de que a entregaseja feita em público, para que a presidente seja apresentada como alguém que está sendo retirada do Planalto, pelo "golpe" que ela tem denunciado. Dilma já avisou que, se afastada, irá mesmo viajar pelo País e atenderá a todos os convites que receber para cerimônias neste período.

Limpeza geral. Dilma já retirou tudo que lhe pertence do gabinete presidencial. Até mesmo as fotos da filha e dos dois netos já foram levados para o Palácio da Alvorada, assim como seus livros. Apesar da agenda frenética da presidente, funcionários do Planalto dizem que os trituradores de papel e os scanners de documentos são 'quem' mais está trabalhando neste final de governo.

Não há definição ainda sobre os benefícios aos quais Dilma terá direito durante seu afastamento. Caberá ao presidente do Senado, Renan Calheiros, decidir. Ao menos 30 pessoas de seu gabinete já foram mobilizados para se transferir para o Alvorada. Ela continuará contando ainda com todo o esquema de funcionamento do Palácio onde reside, que será transformado em uma espécie de QG da resistência. A princípio, a presidente também poderá continuar usando um jato da Força Aérea.

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