Dilma reúne-se com senadores do PMDB e evita falar de Palocci

A situação política do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, não fez parte da conversa entre a presidente Dilma Rousseff e os senadores peemedebistas nesta quarta-feira, segundo parlamentares que participaram do almoço, uma das primeiras iniciativas da presidente para afinar a articulação com a base aliada.

REUTERS

01 de junho de 2011 | 18h46

A única menção ao ministro foi da presidente, para informar que ele não participaria do encontro porque estava cuidando de outros temas do governo. "Fora isso, não demos uma palavra sobre o Palocci", disse o senador Pedro Simon (RS).

O ministro, o mais influente do governo Dilma, vem sendo alvo de diversos pedidos por parte da oposição para que esclareça no Congresso o aumento do seu patrimônio e as operações de sua empresa, a consultoria Projeto.

Apesar da mobilização do governo para evitar uma ida de Palocci ao Congresso, a oposição conseguiu aprovar nesta quarta requerimento para que ele preste esclarecimento na Comissão de Agricultura.

A presidente, no entanto, não evitou outros temas polêmicos como a votação do Código Florestal, a articulação política do governo e a mudança no regime de tramitação das medidas provisórias.

Segundo relato de um senador, que pediu para não ter seu nome revelado, Dilma se esforçou para demonstrar que está disposta a melhorar a relação com o Congresso e, ao lado do ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, que pouco falou no almoço, disse que quer ampliar a interlocução política com senadores e deputados.

"Ela prometeu que vai ter pelo menos duas reuniões anuais com cada bancada", disse esse parlamentar, lamentando a rara reunião. Segundo ele, em nenhum momento Dilma deu a entender que pensava em trocar ministros para melhorar a articulação política.

O senador Luiz Henrique da Silveira (SC), que será um dos relatores do Código Florestal no Senado e tem posição diferente da presidente sobre o tema, disse que ela "assumiu a articulação política do governo".

Dilma disse aos peemedebistas que não aceitará e usará seus poderes para vetar propostas que resultem na anistia a desmatadores. Segundo relato do presidente em exercício do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), ela disse que o Brasil não pode abdicar da liderança que tem na área ambiental e que ela não aceitará medidas que permitam mais desmatamento da Amazônia.

"Eu disse que se for necessário aprovamos no Senado uma lei que determina o desmatamento zero no país, mas precisamos dar um jeito de não inviabilizar a produção rural", afirmou Raupp.

O presidente do Senado, José Sarney (AP), afirmou à presidente que essa questão terá que ser discutida com tempo na Casa para evitar novos desentendimentos como o que ocorreu na Câmara.

O governo saiu derrotado na votação do Código Florestal, com a aprovação de uma emenda patrocinada pelo PMDB, apoiada pela oposição e outros partidos da base, que alerta o texto do relator.

Segundo Raupp, a presidente pediu que os senadores também façam a ponte das necessidades dos Estados com o governo e que a procurem com pautas definidas.

Na maior parte da conversa, Dilma e os senadores debateram mudanças no trâmite das medidas provisórias. Os senadores reclamaram não têm tempo para discutir as matérias e são obrigados a aprovar sem nenhuma mudança, porque quando as MPs chegam à Casa já estão perto de perder a validade.

Dilma disse que convocará uma reunião entre o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e Sarney para tentar fechar um acordo para melhorar o ritmo de votações das medidas provisórias.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro, com reportagem adicional de Hugo Bachega)

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