DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Dilma reúne 13 ministros, mas acena aos aliados apenas com mais diálogo

Presidente chamou a Brasília auxiliares para discutir como reagrupar a base no Congresso, que tem imposto derrotas sucessivas ao governo, e prometeu conversar esta semana com presidentes dos partidos; reforma ministerial não foi tratada

Isadora Peron, Talita Fernandes e João Villaverde , O Estado de S. Paulo

09 de agosto de 2015 | 23h50

BRASÍLIA - Na tentativa de superar a maior crise política desde que a assumiu a Presidência, a presidente Dilma Rousseff decidiu chamar todos os presidentes e líderes dos partidos da base aliada para conversar durante esta semana. A decisão foi tomada após reunião neste domingo, 9, à noite, com o grupo da coordenação política do governo. Ao todo, 13 ministros, o vice-presidente Michel Temer e dois líderes petistas no Congresso participaram do encontro realizado no Palácio da Alvorada.

O esfacelamento da base foi o principal assunto da reunião. O diagnóstico foi o de que é preciso recompor a base, formada por nove legendas, para garantir a governabilidade. Segundo o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, as conversas serão realizadas separadamente com cada partido. “A presidente quer dialogar com todos os partidos da base. Nós reconhecemos as dificuldades políticas que estamos enfrentando, mas temos a confiança de que essas dificuldades serão superadas com diálogo”, afirmou. De acordo com um ministro presente à reunião, o governo “tem 362 deputados que foram perdidos e agora teremos que recuperá-los”.

Os participantes disseram que não foi discutida na reunião nenhuma mudança ministerial, como era esperado por aliados. O tema voltou a ser debatido no Palácio do Planalto como uma opção de medida concreta para tentar acalmar a base. A expectativa é de que uma reforma abra mais espaço ao PMDB do Senado, o que reduziria cargos do PT.

Pauta-bomba. Na semana passada, a primeira após o recesso parlamentar, os deputados contrariaram a orientação do Planalto e aprovaram uma Proposta de Emenda à Constituição que vincula salários de advogados públicos da Advocacia-Geral da União (AGU) e de delegados de polícia à remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

A medida é vista como uma “pauta-bomba” por causar um impacto de cerca R$ 2,45 bilhões aos cofres públicos. A expectativa é de que o governo consiga evitar a conclusão da votação esta semana. “O governo ainda não se deu por vencido na questão dessa PEC”, relatou um dos presentes na reunião.

O Planalto também foi surpreendido com o anúncio de rompimento feito por dois partidos da base que, juntos, somam 44 deputados na Câmara. Lideranças do PTB e do PDT disseram que não iriam mais seguir as orientações do governo, alegando falta de diálogo.

O Planalto vem sofrendo sucessivas derrotas no Congresso. A situação, porém, está mais complicada na Câmara, diante do posicionamento beligerante adotado pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O ministro Edinho Silva cobrou responsabilidade dos parlamentares nas votações e disse que eles tinham de agir levando em conta o “interesse do País e do povo brasileiro”.

A presidente também vai fazer um novo gesto de aproximação ao Senado. Na noite desta segunda-feira, 10, ela recebe os principais nomes da Casa para um jantar no Alvorada. A expectativa é de que Dilma consiga o apoio dos senadores, em especial do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), para barrar o avanço das pautas que prejudicam o ajuste econômico.

Vice. Durante o encontro, Temer pediu a palavra assim que a presidente terminou de falar. “O próprio vice-presidente foi enfático na sua fala, do seu compromisso com a governabilidade, com o seu compromisso com a presidente Dilma. Em momento algum vamos permitir que intrigas feitas por alguns setores, da própria base e da oposição, possam provocar ruídos ou dificultar a construção da governabilidade”, afirmou Edinho Silva.

Essa foi a primeira reunião do grupo após o vice-presidente, que também é o articulador político do governo, ter dito em público que o País precisava de “alguém que tenha a capacidade de reunificar a todos”. A fala foi vista com desconfiança por petistas diante da possibilidade da abertura de um pedido de impeachment contra Dilma. O governo também se preocupou com reunião entre senadores do PMDB e do PSDB, na semana passada, com as ameaças de impeachment no cenário.

O ministro da Comunicação Social ainda disse que o governo não está preocupado com as manifestações marcadas para o próximo domingo, que pedem o impeachment de Dilma. A reunião de ontem, que durou cerca de três horas, costuma ocorrer às segundas-feiras. A presidente, porém, decidiu adiantar o encontro porque vai hoje a São Luís do Maranhão inaugurar unidades do Minha Casa Minha Vida.


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