Dilma relativiza queda de vantagem em relação a Serra nas pesquisas

Na última pesquisa Ibope/Estadão, divulgada na última sexta-feira, petista aparece com 50%, e tucano com 28%

Sabrina Valle, de O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2010 | 17h16

RIO - A candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, disse neste sábado, 25, que não vê "nenhum problema" em relação à redução da diferença de pontos sobre a soma de seus adversários, mostrada pela última pesquisa eleitoral do Ibope/Estadão/TV Globo.

 

"Tem uma pesquisa que me dá 49%, outra me dá 50%, outra 51%, entende, eu estou na margem de erro", afirmou, em visita aos elevadores panorâmicos da comunidade do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, no Rio de Janeiro. "É uma oscilação de um ponto, dois pontos, não estou vendo nenhum problema".

 

Segundo o Ibope, Dilma ficou com 50% das intenções de voto, contra 28% do candidato do PSDB, José Serra, e 12% da candidata do PV, Marina Silva. O resultado, que diminuiu de 14 para 9 pontos a diferença entre a petista e a soma de seus concorrentes, foi atribuída às denúncias de corrupção na Casa Civil, envolvendo a sucessora de Dilma na pasta, Erenice Guerra, e seu filho, Israel Guerra.

 

A 9 dias das eleições e na véspera do último debate eleitoral, hoje, na Rede Record, Dilma afirmou que não aceitará baixar o nível da discussão, caso seus concorrentes decidam partir para ataques mais pesados. As denúncias envolvendo a Casa Civil têm sido usadas pela oposição para tentar levar a disputa a um segundo turno.

 

"Acho que ódio é que nem droga, quem entra no ódio entra fácil. Sair é que é difícil", afirmou. "Em hipótese alguma vou aceitar rebaixar o nível dessa discussão".

 

O ódio também foi motivo de comentário de Dilma ao responder a um jornalista mexicano, que indagou a candidata sobre a possibilidade de ela repetir, se eleita, a experiência do presidente mexicano Felipe Calderón, que enfrentou um país dividido após sua eleição.

 

"Somos capazes de fazer parcerias com todos os governadores, de que partido forem. Não sou a favor de nenhum daqueles métodos que levaram ao ódio, ou à tentativa de instituir o medo", disse. "O México tem suas características específicas e não me cabe comentar".

 

Dilma discursou brevemente no alto da comunidade ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral, e do prefeito, Eduardo Paes, além do candidato do PT ao Senado pelo Rio, Lindberg Faria. Dilma não respondeu perguntas sobre documentos da Polícia Federal mostrando que o filho de Erenice recebeu propina de R$ 120 mil depois de a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) conceder permissão de voo à Master Linhas Aéreas (MTA). Israel é acusado de fazer lobby para facilitar negócios com a empresa.

 

Sobre a vantagem nas pesquisas, a candidata voltou a afirmar que não usará "salto alto", mesmo com indicações de que pode ganhar no primeiro turno.

 

"A gente tem que ver que pesquisa é um retrato deste momento", disse. "A gente não sobe no salto alto porque tem que ter respeito. A gente só vai saber o resultado dessa eleição na urna".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.