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Dilma reforça sinais de que vai manter Mantega no comando da Fazenda

Nos quatro dias que passaram juntos, desde a viagem do Brasil, o ministro deixou claro, segundo um interlocutor, que domina todas as informações de sua área e que apoia, como a presidente, um forte papel do Estado na indução do crescimento

João Domingos, enviado especial,

11 de novembro de 2010 | 20h27

SEUL - A presidente eleita, Dilma Rousseff, tem dado todos os sinais de que manterá Guido Mantega no Ministério da Fazenda, como lhe sugeriu Luiz Inácio Lula da Silva. É a mostra de que pretende dar continuidade à política econômica de metas de inflação e câmbio flutuante, mas com a exigência de que os juros caiam progressivamente, para que cheguem a 2% até 2014.

 

Na convivência diária que teve com Mantega desde segunda-feira, quando viajaram juntos para Seul, Dilma se convenceu, segundo um interlocutor de ambos, de que o atual ministro da Fazenda tem o controle das informações sobre a economia e de que ele está no rumo da política que deseja imprimir ao setor, com o Estado fazendo o papel de indutor do crescimento econômico.

 

Nos últimos quatro dias, Dilma não deu um passo sem que Mantega estivesse ao seu lado. O ministro a pôs ao par de tudo o que estava ocorrendo no G-20, a reunião de cúpula dos países mais ricos, que termina nesta sexta-feira, 12, em Seul. Explicou-lhe que a posição brasileira é a de negociar com os Estados Unidos - e não só combater - na busca de uma forma que reduza a guerra cambial que atualmente está no auge, motivada pela recente decisão do governo norte-americano de emitir U$ 600 bilhões.

 

Ao se encontrar nesta quinta-feira, 11, com Dilma Rousseff, Lula, procedente de Moçambique, pôde perceber na presidente eleita a disposição de manter o ministro da Fazenda - o que para ele gerou um certo alívio, visto que havia feito a sugestão e considera que Mantega é um ministro que dificilmente dá problemas.

 

Brincadeiras. Os três tiveram uma reunião a sós antes de uma entrevista coletiva na qual Lula falou a respeito das negociações no G-20. Mantega participou dessa coletiva e foi alvo de muitas brincadeiras de Lula, pois havia tomado quase a metade do tempo da entrevista para explicar o que o Brasil achava da situação e como deveria se comportar - já no governo de Dilma. Lula ficou ao lado, olhando-o com carinho e gesticulando.

 

Antes, indagada se já se havia decidido pelo nome de Guido Mantega, a presidente eleita afirmou, simplesmente, que ainda não começou a montagem do ministério. Mas, perguntada se deixara de fazer o convite porque a privacidade dos dois fora quebrada durante o voo entre São Paulo e Frankfurt, na segunda-feira, devido à presença de uma jornalista na cabine da primeira classe, a presidente eleita respondeu: "Ah, não. Tive todo o tempo do mundo para isso."

 

A manutenção de Mantega, no entanto, não garante a permanência de um de seus principais auxiliares, o titular da Receita Federal. Desgastado com a quebra de sigilo fiscal de familiares do ex-governador José Serra e do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas, Otacílio Cartaxo não deve ser mantido.

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