Dilma reforça continuidade; Serra mantém confronto

A campanha presidencial na televisão mostrou nesta tarde estratégias diferentes dos dois candidatos que disputam o segundo turno. O programa da candidata do PT, Dilma Rousseff, fez poucas menções diretas ao seu concorrente, José Serra (PSDB), e ressaltou que seu governo representará a continuidade e vai consolidar os avanços econômicos e sociais conquistados na administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos dez minutos do candidato tucano, foi adotada a tática do confronto, ressaltada pela repetição de cenas do debate realizado na TV Bandeirantes no último domingo.

EQUIPE AE, Agência Estado

12 de outubro de 2010 | 15h42

A campanha do PT afirmou que Dilma dará continuidade aos programas sociais do atual governo, como Luz para Todos, Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. Ela comentou que a concessão de luz elétrica para famílias pobres é uma iniciativa pública que precisa ser gratuita. Segundo Dilma, o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso queria cobrar tarifas de energia da população mais carente. "Como pode cobrar de quem não tem luz?", questionou a ex-ministra da Casa Civil.

O programa de Dilma afirmou que, se não fosse o governo Lula, 28 milhões de pessoas não teriam deixado a pobreza e 36 milhões de brasileiros não teriam ingressado na classe média. Um ator reforçou as diferenças do governo Lula e FHC/Serra, ao afirmar, entre outros comentários, que na administração tucana "carro era coisa de rico" e "desemprego era coisa de pobre"

A campanha petista destacou que a candidata é "continuidade" e "inovação" do governo Lula e pretende criar seis mil creches pré-escolas e 500 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que funcionarão 24 horas. Ela disse que tem fé em poder ajudar o Brasil a ser um País melhor e ressaltou que o presidente Lula é seu "grande mestre."

A propaganda de Serra repetiu cenas do debate realizado domingo pela TV Bandeirantes. Ele renovou as promessas de campanha de que vai aumentar o salário mínimo de R$ 510 para R$ 600 e adotar um aumento dos aposentados do INSS de 10%, além de criar um milhão de vagas no ensino técnico.

O programa tucano confrontou Serra e Dilma em vários momentos. Logo na abertura, sugeriu que a falta de experiência em cargos eletivos pode levar Dilma a repetir o "estrago" causado pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello. Em seguida, disse que a candidata do PT é apoiada pelos ex-presidentes Collor e José Sarney, enquanto Serra conta com a solidariedade de outros dois ex-presidentes, Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco. No final, o programa utilizou bonecos para comparar os currículos de Serra e Dilma, apresentada como uma candidata vazia.

No programa, o PSDB exibiu cenas do debate nos quais Serra não defendeu as privatizações e foi até na direção contrária. "Vou fortalecer a Petrobras", disse. O candidato tucano mostrou-se surpreso no encontro realizado na TV Bandeirantes com as queixas de Dilma sobre comentários de Mônica Serra, mulher do candidato. "O que não está certo é sua esposa dizer que a Dilma é a favor de morte de criancinha", disse a candidata do PT no debate. Mônica fez tal comentário em Nova Iguaçu no dia 14 de setembro, quando se referia à descriminalização do aborto.

Serra repetiu o apoio de governadores eleitos à sua campanha, como os do Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina e do senador eleito mineiro, Aécio Neves (PSDB). O candidato do PSDB fechou o programa ao desejar aos espectadores um bom dia de Nossa Senhora, padroeira do Brasil, e bom Dia da Criança.

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