Dilma reconhece dificuldade para aprovar CPMF

Ministra-chefe da Casa Civil é cautelosa ao falar sobre as chances de vitória

ALEXANDRE RODRIGUES, Agencia Estado

14 Outubro 2007 | 16h58

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, reconheceu neste domingo, 14, que o governo enfrentará dificuldades no Senado para a aprovação da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), mas se disse otimista. Mesmo com a licença do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), cuja permanência no posto sob acusação de irregularidades impedia a votação, o governo não tem os 49 votos para prorrogar a o tributo até 2011. Cautelosa ao falar sobre as chances de vitória do governo na Casa, a ministra cobrou "responsabilidade" da oposição.   Veja também:  Entenda o que é o contribuição e veja como será a votação que decidirá o futuro do "imposto do cheque"   "A CPMF é fundamental para o governo, e o governo não pretende abrir mão da CPMF até o último minuto", avisou Dilma, que esteve em um show de automobilismo promovido pela Petrobras no Parque do Flamengo, na zona sul do Rio. Dilma disse que o governo está em negociação, inclusive com a oposição. Ela indicou que, com o radicalismo contrário do DEM, o governo pretende mesmo aproveitar a disposição do PSDB de negociar utilizando entre os senadores tucanos o argumento da responsabilidade e do passado deles no poder.   "Nós estamos num processo, sem sombra de dúvida, determinado e sistemático no sentido da aprovação da CPMF. E acredito que há também da parte da oposição, principalmente porque ela já foi governo, responsabilidades que não são só da sua condição de oposição, mas de partícipes de um mesmo País, de uma mesma nação. Então espero, e tenho certeza de que isso ocorrerá, que haverá responsabilidade no que se refere ao trato da CPMF", disse Dilma.   A ministra não quis fazer cálculos sobre a quantidade de votos que o governo já tem entre os senadores. "Eu não tenho cálculo, não é a minha área de atuação", afirmou, recusando a tarefa do ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, responsável pela articulação política no Congresso e que já vêm se reunindo com senadores. "Acho que eu teria cuidado nas afirmações, tanto na que está garantida a aprovação, quanto naquela em que está garantida a desaprovação", disse, cautelosa. Para Dilma, é difícil prever a evolução da negociação política, mas em seguida disse esperar um desfecho favorável. "Sou uma otimista no que se refere à aprovação da CPMF."   Apesar da necessidade de aprovar a prorrogação da contribuição ainda este ano, a ministra demonstrou que o governo está preparado para uma negociação longa. "Lembrei de um político que fez história nesse País que dizia: em política, um dia é um dia, uma semana é uma semana e um mês é um mês", afirmou, sem identificar o criador da frase. Ela não quis comentar declaração recente do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que cogitou o aumento de outros impostos caso a prorrogação da CPMF não seja aprovada. No entanto, repetiu que os R$ 40 bilhões anuais da CPMF são essenciais para a continuidade de programas sociais do governo e até para os investimentos na aceleração do crescimento econômico.   "Os programas sociais do governo hoje respondem por modificações significativas na distribuição de renda. Os programas de infra-estrutura, de saneamento, habitação, todos eles dependem da CPMF, assim como os de saúde pública e educação", justificou.   Combustível   Dilma esteve no Rio para a apresentação do novo combustível da Petrobrás para a Fórmula 1, que atende às novas exigências ambientais da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para o ano que vem. Em 2008, todas as escuderias deverão ter pelo menos 5,75% de componentes oxidantes e biodegradáveis na gasolina. A Petrobrás, que desde 1998 é fornecedora da Williams, é a primeira a apresentar o novo combustível, desenvolvido no Centro de Pesquisas (Cenpes) da estatal.   Ao lado do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, da nova diretora de Gás e Energia da estatal, Maria das Graças Foster, e do novo presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra, Dilma fez o abastecimento de um carro de F1 da Williams com o novo combustível. "Estou aqui com imenso prazer para a minha atividade de bombeira", brincou a ministra com a função atribuída a ela por Gabrielli. "É mais um passo que a Petrobrás dá para garantir o protagonismo do Brasil na área de biocombustíveis", disse Dilma.   Para Gabrielli, é mais fácil para a Petrobrás atender às novas exigências da FIA diante dos 30 anos da experiência brasileira na área de combustíveis a partir de fontes renováveis, como o álcool. "Normalmente nós usamos a experiência da F1 para os carros comuns. Agora vamos usar a experiência dos carros comuns para melhorar o desempenho na F1", afirmou. Dilma assistiu a parte da exibição de automobilismo na qual o carro da Williams foi pilotado nas pistas do Aterro pelo piloto da equipe Kazumi Nakajima. Também houve exibição de motovelocidade e de carros de Fórmula Truck e Stock Car.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.