Dilma reage às críticas recebidas pelo corte orçamentário

Na Bahia, presidente diz que fará de tudo para manter a inflação sob controle e acelerar o crescimento econômico

Vera Rosa, de O Estado de S. Paulo

01 de março de 2011 | 20h26

SALVADOR - A presidente Dilma Rousseff reagiu nesta terça, em Salvador, às críticas recebidas ao corte de R$ 50 bilhões no Orçamento e disse que fará de tudo para manter a inflação sob controle e acelerar o crescimento econômico. "Nós não teremos contemplação com a inflação", insistiu ela. "A inflação é como um câncer, que corrói o tecido econômico e social."

 

Ao participar da cerimônia de anúncio do Terminal de Regaseificação da Bahia, obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que terá recursos de US$ 706 milhões, Dilma disse não ver contradição entre os investimentos programados e a tesourada nos gastos. A uma plateia composta por empresários e políticos, ela lembrou que, na quinta-feira, anunciará até mesmo a prorrogação do Programa de Sustentação do Investimento.

 

"Não é contradição com o nosso corte de despesas. Nós estamos cortando o custeio administrativo, não estamos cortando os investimentos", afirmou a presidente. Em nenhum momento de seu discurso, Dilma mencionou o programa Minha Casa, Minha Vida, que sofreu corte de R$ 5,1 bilhões.

 

Mesmo sem se referir explicitamente às estocadas da oposição, Dilma não deixou dúvidas sobre quem estava se referindo ao mencionar o ajuste nas contas públicas, chamado pelo governo de "consolidação fiscal". "O meu governo não vai parar de investir. Vamos controlar os gastos, mas não parar de investir nem para fazer com que o País pare de crescer", insistiu a presidente. "Estamos controlando os gastos públicos para que o País cresça mais, com mais qualidade e de forma mais acelerada."

 

Gás. Apesar do anúncio do Terminal de Regaseificação da Bahia ter sido feito nesta terça, a obra só começará em março de 2012. Entrará em operação em setembro de 2013. Atualmente, o Brasil tem dois terminais de Gás Natural Liquefeito (GNL): o de Pecém (CE) e o da Baía de Guanabara (RJ).

 

A Bahia é o maior Estado consumidor desse tipo de combustível no Nordeste e, de acordo com a Petrobras, o novo terminal permitirá maior integração do sistema interligado de gasodutos. Sozinho, ele terá capacidade para regaseificar 14 milhões de metros cúbicos por dia.

 

A previsão é de que, no fim de 2013, os terminais da Bahia, de Pecém e da Baía da Guanabara, juntos, operem com capacidade para regaseificar 35 milhões de metros cúbicos por dia. Trata-se de volume maior que o de gás natural importado da Bolívia, hoje na casa dos 31 milhões de metros cúbicos por dia. Segundo informações da Petrobrás, a demanda térmica no Nordeste, no ano passado, cresceu 225%.

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