Dilma questiona a quem interessa vazamento de dados sigilosos

Sabatinada por mais de oitohoras na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, a ministra daCasa Civil, Dilma Rousseff, negou a existência de um dossiê comgastos do governo anterior e questionou interesses por trás dovazamento das informações. "Como dados que são privativos tiveram em determinadomomento uma formatação e foram vazados? Quem vazou, como vazoue a quem interessa esse vazamento? É essa a questão", disseDilma, que não se furtou a responder a todas as perguntas quelhe foram feitas sobre o suposto dossiê nessa quarta-feira. A ministra reiterou que a Casa Civil montou um banco dedados para atender necessidades do Tribunal de Contas da Uniãoe considerou "irrisório" o que foi divulgado pela imprensa. "Não vejo sentido em transformar um banco de dados emdossiê. Temos um banco de dados com mais de 20 mil dados. Sealguém pegou parte, estruturou esses dados, não é algo peloqual a Casa Civil merece responsabilidade. Por isso pediapuração. É fundamental que se saiba como isso se deu", disseDilma. O vazamento de informações está sendo investigado pelaPolícia Federal e por comissão de sindicância da própria CasaCivil. Dilma se manifestou "enfaticamente" contrária ao vazamentode gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e deintegrantes de seu governo, e afirmou que o procedimento não secoaduna com a democracia. Segundo a ministra, os gastos da Presidência da Repúblicaestão baseados em hospedagem, transporte e alimentação e sãocompatíveis com as necessidades dos chefes de Estado. "Achávamos que os gastos estavam seguros, (mas) como vazoumostrou que não. Não foi só dado do ex-presidente que vazou.Recentemente, vazaram os dados de viagens presidenciais", disseDilma, referindo-se ao deputado Vic Pires (DEM-PA), quedivulgou informações de viagens do presidente Luiz Inácio Lulada Silva que seriam sigilosos. SENADO SABIA Dilma contou que em 2004 auditoria do TCU constatoudificuldades em obter informações sobre gastos de suprimentosde fundos e que a Casa Civil, antes mesmo de sua chegada,tomara a decisão de fazer um banco de dados para que o TCUpudesse auditá-los adequadamente. Segundo Dilma, o TCU disse que as dificuldade foramsuperadas com o desenvolvimento do Suprim (Sistema deSuprimento de Fundos), que contém espelhamento dos documentosfiscais. "Antes havia oneroso processo de levantamento de dados, quenão tinham a separação de despesa por quem a fez e sim porcentro de custo", disse Dilma. Para rebater a idéia de dossiê, Dilma disse que foicomunicado ao Senado que esse banco de dados estava emandamento, após pedido de informação sobre gastos de algunsministros feito pelo senador Artur Virgílio (PSDB-AM), em 9 desetembro de 2005. Virgílio cobrou não ter recebido os dados que solicitou, oque no seu entender configuraria crime de responsabilidade, jáque se tornaram públicos antes de chegarem a suas mãos. Dilma respondeu que o governo priorizou os próprios dados,por exigência de fiscalização do TCU, e que posteriormenteretrocedeu aos gastos do governo anterior. Segundo ela, osgastos de 1995 a 1998 ainda não foram organizados, erecentemente ficou pronta a parte do banco de dados referente a1998 e 2002. "Nós avisamos isso ao senhor e à CPI. Não encaminhamos masavisamos que estava disponibilizado", disse Dilma a Virgílio. Ao fim da sessão, o senador Marconi Perilo (PSDB-GO)convidou a ministra a comparecer à Comissão de Infra-Estruturaa cada dois meses para falar do PAC. Ela respondeu que iria comprazer.

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