Dilma quer políticos e técnicos em eventual ministério

O perfil do ministério de um eventual governo da petista Dilma Rousseff será, ao mesmo tempo, político e técnico, informou a candidata hoje, logo depois de gravação de cerca de duas horas para seus próximos programas eleitorais no rádio e na TV. Dilma deu um recado aos partidos que formam a sua aliança, já ansiosos para tratar da divisão do poder após pesquisas de intenção de voto mostraram a petista subindo - de acordo com a CNT/Sensus, divulgada hoje, ela venceria já no primeiro turno.

JOÃO DOMINGOS, Agência Estado

24 de agosto de 2010 | 19h37

Pela revelação de Dilma, tanto os políticos quanto os técnicos serão bem-vindos. Como o PMDB está sob pressão do PT e de outros partidos, por ter manifestado sua intenção de dividir o poder meio a meio - conforme reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo no domingo -, a fala de Dilma serviu como um consolo ao partido, o grande parceiro da aliança.

"Não acho que tem uma área exclusiva para técnico e outra para político. Acho que o político deve combinar competência técnica e capacidade, e que o técnico deve ter jogo de cintura", afirmou a candidata do PT. "Não pode ser o técnico frio nem o político sem capacidade, competência e qualificação." Dilma disse que prestará atenção nesse detalhe quando escolher a equipe, caso vença a eleição.

Dilma afirmou ainda que não fará ajuste fiscal se vencer a eleição porque, de acordo com ela, o Brasil não tem cenário de crise. "O Brasil tem estabilidade, taxa de inflação sob controle, dívida caindo." Ela disse que não reduzirá a meta de inflação, hoje de 4,5% ao ano. "Reduzir meta de inflação não se faz no cenário internacional que a gente está. Porque o cenário pode ser ainda o de depressão. É prudente manter as coisas como estão."

Para a candidata, ajuste fiscal não é uma virtude, mas um fruto da necessidade. Segundo ela, quando for necessário, como aconteceu no início do governo Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, deve ser feito, com cortes setoriais e contingenciamento orçamentário, mas nunca um corte linear que impeça investimentos. "Isso contribuiu para a destruição da capacidade de investimentos do Estado." Dilma disse também que não tratou com sua equipe de reajuste maior ou menor para o funcionalismo. "Reajuste do funcionalismo é aquele que é merecido."

Reforma tributária

Dilma disse que tentará fazer uma reforma tributária conjugada com uma reforma estrutural, de forma a desonerar a folha de salários e os investimentos e pôr fim à guerra fiscal entre os Estados. Ela afirmou, por fim, que vai acabar com o pagamento parcelado dos créditos tributários que o governo deve aos empresários. Se for eleita, todos os créditos tributários das empresas serão devolvidos imediatamente. "Isso é utilizado para que o Estado possa fazer caixa, mas acaba pagando juros e correção inflacionária para isso."

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