Dilma quer ‘padrão da iniciativa privada’ no Incra

Petista indicado por parlamentares do Paraná, Celso Lacerda assume órgão responsável pela reforma agrária com a promessa de ‘qualificar a gestão’

João Domingos, de O Estado de S. Paulo

29 de março de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff orientou o novo presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Celso Lacerda, a mudar a gestão da autarquia, com ênfase para resultados e menos burocracia. Isso ficou claro no discurso de posse de Lacerda, nesta terça-feira, 29, em Brasília.

 

"No governo Lula, começamos a melhorar. No governo Dilma, vamos qualificar a gestão do Incra, nos padrões da iniciativa privada, com gastos cada vez menores e produtividade cada vez maior", disse Lacerda. Ele afirmou que recebeu a determinação da presidente quando foi convidado a assumir o cargo.

 

Indicado pela senadora Gleise Hoffmann (PT-PR) e pelo deputado Doutor Rosinha (PT-PR), Lacerda não é funcionário de carreira. Milita no PT desde 1994 e, ao contrário do que circulou nos corredores da instituição, não pertence à corrente esquerdista Democracia Socialista, à qual estão ligados o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, e o deputado Rosinha.

 

O próprio ministro não parece estar disposto a adotar um discurso radical em defesa da reforma agrária, como defende a corrente à qual é ligado. Indagado sobre sua posição a respeito da atualização dos índices de produtividade das propriedades - o que é defendido pela esquerda e repudiado pelo agronegócio -, Florence foi esquivo: "A presidente Dilma determinou que a Embrapa faça esse índice. E a Embrapa é subordinada ao Ministério da Agricultura e não ao MDA. Portanto, não cabe a mim ficar falando qual deve ser o índice. Eu sou um funcionário do governo e devo obediência ao que a presidente determinar. Cumpro o que o governo decidir."

 

No discurso de posse, além de dizer que o Incra precisará ter uma gestão semelhante à da iniciativa privada, Lacerda afirmou que vai cumprir todas as diretrizes determinadas por Dilma Rousseff, como não apresentar metas de assentamento que não possam ser cumpridas. "Não queremos nada inalcançável".

 

Ele afirmou que será preciso levar a tecnologia para os assentamentos, abrir estradas, fazer milhares de casas para os assentados. Lacerda considera que com os R$ 4 bilhões de orçamento para este ano será possível cumprir as metas estabelecidas pela presidente, mesmo sabendo que deverão ocorrer cortes entre 17% e 20% nos recursos.

 

Mesmo com o discurso dos dirigentes do MDA e do Incra a respeito das ordens da presidente para que seja mudada a gestão da autarquia, este é um dos mais importantes feudos do PT. Das 30 superintendências no País, 26 são dominadas pelo partido.

 

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