Dilma: ''''Que se faça justiça sem paixões''''

Já Mares Guia afirma que, independentemente da decisão do STF, julgamento não respinga no governo

Gerusa Marques e Lu Aiko Otta, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2023 | 00h00

Brasília - A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse ontem que o governo espera que o correto prevaleça no julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da admissibilidade da denúncia do Ministério Público Federal sobre o esquema do mensalão. "O governo espera que se faça justiça sem paixões", disse a ministra, logo depois de participar do seminário "Obstáculos e soluções para o desenvolvimento da Infra-Estrutura", promovido pela Associação Brasileira de Infra-Estrutura e da Indústria de Base (Abdib). Para o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, contudo, independentemente do resultado, o julgamento do Supremo "não respingará no governo". Indagado se uma eventual condenação não cairia no colo do Palácio do Planalto, Mares Guia afirmou ontem que não haveria razão para isso, pois estão em análise eventuais delitos cometidos por "pessoas, em circunstâncias específicas". Quando um repórter lhe perguntou como o governo estaria acompanhando o julgamento, ele brincou: "Se eu fosse o José Maria Alkmin, diria que o governo acompanha pela televisão", respondeu, numa referência a uma declaração do velho político mineiro, ministro da Fazenda de Juscelino Kubitschek e célebre por suas frases irônicas. E, ressaltando a própria origem mineira, Mares Guia acrescentou: "Justiça não se comenta. Acata-se e, se não estiver satisfeito, recorre-se."NADA MUDANa véspera, o ministro da Justiça, Tarso Genro, também sustentara que a decisão do Supremo a respeito do caso do mensalão não atinge o governo nem muda a rotina no Palácio do Planalto. "Não só não respinga como também já foi declarado pelo procurador-geral da República que não respinga", disse o ministro na terça-feira. "Não tem nenhuma alusão ao governo ou ao presidente."Tarso também minimizara o fato de ex-ministros e companheiros do círculo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estarem na lista dos indiciados que podem virar réus num possível processo penal. "Temos é de ficar exultantes, porque as instituições no País estão funcionando de maneira regular e estável", afirmou.O ministro rejeitou a tese de que o julgamento do STF seria um teste de fogo para o PT e o Palácio do Planalto e argumentou que o governo não é formado apenas por um partido, mas por uma coalizão. "A aceitação ou não da denúncia se refere a indivíduos determinados, que cometeram ou não infrações determinadas", afirmou. "É um julgamento normal, importante."Ele também não quis emitir opinião sobre o processo. "Enquanto ministro, não tenho nenhuma torcida, nenhuma inflexão a respeito do assunto que será examinado pelo Judiciário." Tarso evitou ainda comentar a situação do ex-deputado e ex-ministro José Dirceu, seu rival no PT e principal indiciado do caso mensalão. "Já manifestei a vocês que não vou emitir nenhum juízo sobre essa questão", disse o ministro, que ressaltou a "solidez das instituições".

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