Dilma promete turbinar fase 2 de programa habitacional

Dias depois da revelação de baixo desempenho do programa "Minha Casa, Minha Vida", a candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, anunciou hoje uma turbinada no programa habitacional com a inclusão de eletrodomésticos e móveis básicos na segunda fase do projeto, voltado para atender dois milhões de casas. A promessa foi feita durante entrevista da candidata em um cenário que reproduz uma sala de uma residência montado para as gravações do programa eleitoral de TV, com início marcado para a próxima terça-feira.

DENISE MADUEÑO, Agência Estado

14 de agosto de 2010 | 19h10

"Tem uma parte do programa "Minha Casa, Minha Vida" que ainda não está completa. A minha equipe está fazendo os últimos detalhes para o "Minha Casa, Minha Vida 2" contemplar eletrodoméstico e alguns móveis básicos", disse. "Isso pode ser bastante acessível, porque nós vamos comprar em grande escala. Teria de acrescentar, mas não é muito. Veja o que é isso em dois milhões de moradia", afirmou.

O programa de habitação popular do governo federal é um dos principais pontos de campanha da petista. Ontem, a direção da Caixa Econômica Federal se mobilizou para rebater informação publicada no Jornal Folha de S.Paulo de que apenas 565 casas para inscritos com renda de até três salários mínimos, ou 0,23% dos contratos assinados, foram entregues até agora. A Caixa diz que 3.588 unidades já estão entregues e que 114 mil deverão estar com os novos donos até o fim deste ano.

A candidata afirmou que a política habitacional que pretende desenvolver prevê R$ 71 bilhões a partir de 2011 até 2014 para a população que ganha até dez salários mínimos, de forma subsidiada. Para a classe média, serão destinados R$ 44 bilhões por ano para financiamentos voltados à aquisição, melhoria ou reforma de casas.

Dilma Rousseff passou a tarde gravando seu programa eleitoral no cenário que representa, para ela, a casa da "nova classe média". Pela manhã, ela se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada.

Pesquisa

Dilma considerou sua posição de liderança nas pesquisas eleitorais uma demonstração de que sua campanha está indo bem. A pesquisa Datafolha divulgada ontem apontou Dilma com 41% das intenções de voto e José Serra, candidato do PSDB, com 33%. A candidata evitou falar em vitória no primeiro turno, mas considerou que a pesquisa permite várias leituras. "Eu prefiro não tratar desta questão através de uma análise de pesquisa. Para a gente ganhar a eleição não é pesquisa que importa. O que importa é a gente se esforçar ao máximo para comunicar o programa que nós desenvolvemos de continuidade e de aprofundamento do governo Lula", disse. Dilma acrescentou que até o dia 3 de outubro não há nada decidido.

A petista afirmou ainda que a "pior coisa" que pode acontecer em uma campanha é o salto alto. "O salto alto combina duas coisas: a autossuficiência e a soberba, dois grandes inimigos de qualquer ser humano em qualquer atividade. Nós não vamos correr esse risco, porque estou muito consciente disso."

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