Dilma promete reformas, diz que não faz política com ódio nem ficará de joelhos

Em convenção marcada por fortes críticas aos tucanos, a presidente Dilma Rousseff foi indicada ontem candidata do PT ao segundo mandato e anunciou um "plano de transformação nacional", com reforma urbana e dos serviços públicos, como eixo de um novo governo petista. Sob o slogan Mais Mudanças, Mais Futuro, Dilma prometeu um "ciclo histórico de desenvolvimento", pediu mais quatro anos no Planalto para mudar o País e, numa referência ao PSDB, disse que o ódio não vai vencer a disputa.

VERA ROSA, RICARDO GALHARDO, ENVIADO ESPECIAL / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2014 | 02h01

"Nunca fiz política com ódio. Não tenho rancor, mas não abaixo a cabeça. Não insulto, mas não me dobro. Não agrido, mas não fico de joelhos para ninguém. Não perco meu tempo odiando meus adversários porque tenho um país para governar, um povo para representar, um modelo de emancipação popular para executar e proteger dos que tentam bloqueá-lo", afirmou Dilma.

O "plano de transformação nacional" proposto pela presidente será ancorado pelo mote do "país das oportunidades". O projeto inclui um conjunto de medidas genéricas, que, no diagnóstico do governo, levará o País a um novo ciclo de desenvolvimento, "com solidez econômica e ampliação das políticas sociais". Estão na mira de Dilma mudanças que não conseguiram sair do papel até hoje, como as reformas política, federativa, urbana e de serviços públicos, além do programa "Brasil Sem Burocracia".

Fiador da segunda candidatura de Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu sua afilhada, chamou os tucanos de "essa gente" e retomou o discurso na linha "nós contra eles" ao pedir mais empenho e "adrenalina" dos petistas na ofensiva contra o candidato do PSDB, Aécio Neves, principal adversário do PT.

"Esse país foi a vida inteira governado por doutores, engenheiros e intelectuais, mas eu não vou citar nomes porque ele vai pensar que estou falando dele", provocou Lula, numa alusão ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, avalista de Aécio. Logo em seguida, emendou: "Por que, então, essa gente não resolveu o problema da educação no Brasil?"

Efeitos. A confirmação de Dilma como candidata do PT, repetindo a dobradinha com o vice Michel Temer (PMDB), foi aprovada por unanimidade pela plateia petista, que levantou os crachás vermelhos. Foi o único gesto do PT de antigamente, numa convenção de efeitos especiais, com show de luzes e cores.

Dilma chamou Temer de "estadista" e disse que, nas dificuldades, ele foi o companheiro de todas as horas. Ao exaltar a parceria com o PT, depois do racha no PMDB, Temer acabou pondo em xeque a estratégia petista de dar prioridade aos pobres. "Vamos acabar com essa besteira de dizer que os governos Lula e Dilma trabalhavam apenas para um setor", insistiu ele.

Com a popularidade em baixa, a presidente pregou uma "campanha de paz" e o fim dos ataques, embora tenha dado várias estocadas na direção do PSDB, ignorando o pré-candidato do PSB, Eduardo Campos. "Recolhamos as pedras que atiram contra nós e vamos transformá-las em tijolos para fazer mais casas do Minha Casa Minha Vida. Vamos recolher os xingamentos, os impropérios e as grosserias e transformá-los em versos de canções de esperança no futuro do Brasil", discursou.

Lula e o presidente do PT, Rui Falcão, fizeram um desagravo à petista, que foi xingada e vaiada na abertura da Copa. A tática do comitê da reeleição consiste em carimbar Aécio como candidato da "elite branca" e culpar esse segmento por tudo de ruim que ocorre no País.

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