Dilma promete aprofundar projetos do governo Lula

Em entrevista à Rádio Tupi, a ministra criticou herança do governo FHC e disse ter 'relação especial' com Lula

Luciana Nunes Leal, da Agência Estado,

25 de janeiro de 2010 | 12h50

A ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República, prometeu na manhã desta segunda-feira, 25, continuar e aprofundar os principais projetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem disse ter "relação especial de confiança, de respeito" que "vai durar minha vida inteira". Em entrevista de uma hora à Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, Dilma insistiu várias vezes que ainda não é candidata e que só será oficializada em fevereiro, quando ocorrerá o Congresso Nacional do PT, e disse que respondia as perguntas na condição de integrante do governo. A ministra voltou a citar a possibilidade de a oposição, se chegar ao poder, acabar com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas desta vez não citou nomes de adversários ou de partidos políticos, como fez na semana passada, em referência ao presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

 

Dilma ressaltou a parceria com prefeitos e governadores para execução do PAC. "É muito difícil a gente concordar quando as pessoas propõem acabar com o PAC. Poder perguntar aos governadores e aos prefeitos se concordam. Não vão concordar", afirmou Dilma. A ministra retomou as críticas de que os governos anteriores não investiram em infraestrutura, porque as obras "não dão visibilidade" e comparou investimentos feitos em 2002, último ano do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

 

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"Em 2002, o investimento total do Brasil em esgotamento sanitário foi de R$ 264 milhões. Só na obra que vamos inaugurar hoje estamos investindo R$100 milhões. No município do Rio, serão R$ 2 bilhões", afirmou a ministra, que na tarde de hoje acompanhará o presidente Lula na visita a obras do PAC na localidade Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá e na inauguração da creche Dra. Zilda Arns.

 

Eleições no Chile

 

A ministra comentou o resultado das eleições no Chile, em que a presidente Michelle Bachelet, apesar da alta popularidade, não conseguiu eleger o aliado Eduardo Frei seu sucessor. Para Dilma, a falta de unidade da esquerda chilena é motivo de preocupação, quando se compara com o cenário brasileiro.

 

Sobre a dificuldade de Bachelet transferir votos para Eduardo Frei, a ministra lembrou que Brasil e Chile vivem situações diferentes e que Frei já foi presidente , em um período de grandes dificuldades. "Em que pese eu não ser pré-candidata, acho que a eleição do Chile pode colocar algumas preocupação em uma agenda para o Brasil, como a importância da unidade da centro-esquerda, porque lá eles foram desunidos. Porém, tem características diferentes. Eduardo Frei foi presidente do Chile, em uma situação difícil, em um momento de crise econômica. É compreensível que não ficasse claro se ele seria continuidade do governo dele ou do governo dela (Bachelet)", analisou Dilma.

 

Distância de Chávez

 

Durante a entrevista, a ministra reiterou várias vezes que ainda não foi oficializada a sua candidata à Presidência. Quando respondia a perguntas sobre controle da mídia, liberdade de expressão e iniciativas do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, Dilma fez questão de diferenciar o governo Lula do venezuelano. "Não há nenhuma similaridade entre o nosso governo, a nossa proposta, o nosso país e a Venezuela e o presidente Chávez. Ele é (resultado das) circunstâncias da Venezuela. Eles têm suas características, suas propostas são coincidem com as nossas. Não temos o mesmo tratamento para capital estrangeiro, para a forma como se faz qualquer atividade pública", comparou a ministra.

 

Dilma defendeu a liberdade de expressão e disse que não ficaram claras até hoje as propostas existentes dentro do governo Lula para controle social da mídia. "Acredito que uma das pedras básicas da democracia é a liberdade de expressão. A liberdade de imprensa é algo que não se pode transigir. O governo Lula jamais se definiu como se fosse fazer qualquer tipo de controle sobre a mídia. Se me perguntar se tem conferências realizadas pelo governo que defendem isso, eu digo que tem. Mas o controle da sociedade pela mídia... nunca fica claro do que se trata, como seria isso", respondeu a ministra.

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