Dilma pretende ampliar política internacional de Lula

A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, definiu hoje como "muito virtuosas, sob qualquer aspecto" as negociações do Brasil com o Irã, que resultaram em acordo nuclear. Dilma condenou os que criticaram o acordo e disse que manterá e até ampliará a política internacional levada a cabo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso seja eleita.

VERA ROSA, Agência Estado

25 Maio 2010 | 19h48

"O Brasil não demonstrou ingenuidade no Irã, como querem alguns", insistiu a petista, em entrevista após sabatina na Confederação Nacional da Indústria (CNI). "Optamos por uma estratégia de paz e de diálogo, em que é possível construir o acordo, não o desacordo; criar pontes, e não levantar muros".

Na avaliação da ex-ministra da Casa Civil, "não há efetividade" no pacote de sanções contra o Irã que as grandes potências querem ver aprovado pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). "A política de sanções prejudica o povo, mas nunca vi impedir governos de agirem desta ou daquela maneira", argumentou ela.

Mercosul

Para Dilma, a política internacional praticada pelo governo Lula é "extremamente meritória". Em nova estocada dirigida ao pré-candidato do PSDB, José Serra - para quem o Mercosul é "uma farsa" e "um obstáculo para que o Brasil faça seus próprios acordos individuais em comércio" -, a pré-candidata do PT afirmou que o Brasil "fez o movimento correto" ao se aproximar dos vizinhos da América Latina. Elogiou, ainda, as parcerias com a África e a Ásia.

"O Mercosul é mercado regional, não é área de livre comércio", disse Dilma, ao ser questionada sobre suas propostas para o bloco. "O outro candidato defende que seja zona de livre comércio, é?", perguntou ela ao repórter, como se não soubesse das críticas de Serra.

Antes de encerrar a entrevista, Dilma voltou à carga contra o tucano e disse que o Brasil acredita nas relações multilaterais. "Não vemos nenhum benefício naqueles que adotaram áreas de livre comércio, como a Alca", comentou, numa referência à Área de Livre Comércio das Américas. "Ao contrário: se alguém quer se afastar da desindustrialização, é bom que se afaste desse tipo de política."

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