Dilma prestigia PMDB em convenção e reativa 'Conselhão'

Com a campanha nas ruas, sob ataques da oposição e pressionada pela movimentação eleitoral do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), a presidente Dilma Rousseff lançou uma ofensiva para cimentar a aliança com o PMDB para 2014. A fórmula combina gestos simbólicos e a promessa de mais presença na Esplanada para o partido. O primeiro passo será a presença de Dilma na convenção do PMDB, no próximo sábado (2).

AE, Agência Estado

27 de fevereiro de 2013 | 09h09

Antes, na noite de quinta-feira (28), a presidente vai ao Palácio do

Jaburu, a convite do vice-presidente Michel Temer, para participar de jantar em homenagem ao ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), no qual estarão presentes ministros, senadores, deputados e governadores da sigla.

O objetivo do Planalto é sinalizar que o PMDB é o aliado preferencial para a sucessão de 2014. O partido recebeu ainda o aceno de que poderá vir a ser contemplado com o ministério "top", na visão de peemedebistas: o dos Transportes, que a presidente pretende entregar a Minas Gerais. Um dos cotados é o deputado Leonardo Quintão, que em 2012 abriu mão de sua candidatura a prefeito de Belo Horizonte, para apoiar a aliança com o PT.

Ao mesmo tempo em que consolida a aliança com o PMDB, a presidente também arquiteta uma recomposição com o setor empresarial. Dilma vai se reunir com os pesos pesado do PIB nacional para se contrapor ao discurso tucano, que tem centrado críticas no desempenho da economia.

A presidente participará nesta quarta-feira, no Planalto, da reunião que vai comemorar os dez anos de criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Este está sendo considerado mais um ato de campanha, já que o governo quer exaltar o "Conselhão" como mais um marco dos dez anos de governo petista e injetar ânimo nos empresários.

No encontro, ao qual estarão presentes empresários e representantes da sociedade civil, a presidente Dilma vai se dedicar a bombardear o discurso pessimista sobre a economia, embalado pelo PSDB nos últimos dias. Ela não pretende responder diretamente ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que a chamou de "ingrata" e disse que a presidente "cospe no prato em que comeu". A ideia é continuar fazendo balanços e mostrar resultados positivos alcançados pelo governo petista.

Os tucanos têm criticado em seus discursos a alta da inflação e o baixo crescimento do País. A oposição não se cansa de proclamar que o IPCA, um dos principais indicadores inflacionários, fechou em alta de 0,86%, maior índice nos últimos dez anos, e que a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) de 2012, divulgada semana passada pelo Banco Central, apontou para uma expansão de 1,64% da economia, bem menor do que a expectativa do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O governo insiste em responder que medidas foram tomadas contra a crise e que os resultados estão sendo aguardados. Este discurso será repetido hoje no Conselhão pela presidente, que pretende apresentar estatísticas e dados positivos, como a concessão de portos e aeroportos. Tais medidas, acredita, permitirão a ampliação dos investimentos da iniciativa privada em projetos estratégicos.

A movimentação de partidos da base aliada também está na mira de Dilma, para evitar defecções em 2013, prejudicando o projeto da reeleição. Por isso os afagos ao PMDB. A convenção de sábado (2) consagrará e reiterará Michel Temer como presidente de honra do partido. Hoje Temer está licenciado desse cargo, mas continua sendo a maior liderança do partido.

Durante a convenção também será escolhida a nova direção do PMDB. Ao prestigiar Temer, Dilma deixa claro que o quer na Vice-Presidência também em 2014. O ex-presidente Lula, padrinho político de Dilma e arquiteto da sua reeleição, chegou a sugerir nos bastidores que a Vice fosse entregue ao PSB em 2014 para evitar que Eduardo Campos se lançasse candidato.

A especulação provocou ruídos na relação do PT com o PMDB. Agora, a ideia foi abandonada pelos petistas.

Dilma recebeu na terça-feira (26), em seu gabinete, por duas horas, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), três dias após o irmão dele, Ciro Gomes, ter atacado todos os presidenciáveis - o correligionário Eduardo Campos, inclusive, além de Marina Silva e Aécio Neves. Ciro disse que o governador de Pernambuco e presidente do PSB não tem visão de Brasil e nem proposta para o País. O Palácio do Planalto conta com os irmãos Gomes como cabos eleitorais de Dilma. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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