Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Dilma prepara carta à Nação em que defende sua volta à Presidência

Em entrevista à Rádio O Povo-CBN, de Fortaleza, presidente afastada diz acreditar em seu retorno e que está sendo 'atacada por parasitas e por fungos'

Carmen Pompeu, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2016 | 13h50

FORTALEZA - A presidente afastada Dilma Rousseff está escrevendo uma Carta à Nação. A informação foi dada em entrevista concedida por ela na manhã desta quarta-feira, 6, à Rádio O Povo-CBN, de Fortaleza. Dilma afirmou que está lutando para voltar à Presidência da República. “Eu acredito que volto", disse.

A presidente afastada afirmou que está escrevendo a mensagem a várias mãos. "Não represento uma andorinha só. Temos a Frente Brasil Popular e com ela estamos escrevendo esta Carta para mostrar a Nação que merecemos voltar à Presidência".

Entrevistada pelo jornalista Luiz Viana, Dilma comparou o Brasil a uma árvore e afirmou ser o “o golpe” um machado que a está cortando.”Se você considera o Brasil uma árvore, o golpe é um machado cortando essa árvore. E ela está sendo atacada por parasitas e por fungos", destacou .

A presidente citou o que poderá ser feito para resolver a crise política. "Primeiro temos que acabar com os parasitas e fungos. Como acabar com eles? Primeiro com debate. O outro item é ter presente uma estratégia que 2018 tem de ser coroado por um processo de consulta popular para escolher os governantes, mas também para ter uma reforma política".

Para Dilma, o processo de impeachment que ela vem sofrendo "tem uma característica muito grave. É uma eleição indireta à Presidência, uma volta aos tempos da ditadura militar", avaliou.

A presidente afastada criticou a proposta de emenda constitucional que cria teto de gastos. "Ela é danosa, porque no Brasil, que precisa de investimento de Saúde e Educação, significa que você vai reduzir o que vai ser gasto por pessoa ao longo do tempo. E isso é gravíssimo".

Dilma falou por 35 minutos na Rádio O Povo-CBN. Ela começou e entrevista dizendo que não tinha pedalado nesta quarta. E defendeu-se dizendo que não cometeu crime com as pedaladas fiscais. "A lei não prevê a participação da presidenta. Não é ela quem é responsável por esse pagamento. O responsável por isso é o ministro da Fazenda. Como não é um ato meu, não conseguem me caracterizar pelo que me acusam", afirmou.

Temer. Sobre o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) disse: "Não vou afastar a hipótese de ter cometido um erro. De pronto eu já digo isso". E afirmou que o presidente em exercício, na verdade, representa o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). E que, por isso, não há possibilidade de fazer qualquer acordo com ele. “Qualquer acordo não é nunca com o Temer. É com o Cunha. E esse é o problema. Eles não só estão juntos como, na conversa de Romero Jucá (com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado) tem uma hora em que ele diz: 'Temer é Cunha'”, destaca a presidente afastada.

Ela, no entanto, não acredita que os dois estivessem de conluio. "Eu não posso acreditar que Cunha era aliado de Temer desde sempre. Nós não tínhamos condições de perceber tudo isso, nós todos supúnhamos que o Cunha era um democrata e não imaginávamos que o Temer era um usurpador golpista", disse.

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