Dilma prega Estado forte e luta contra a inflação

No primeiro pronunciamento público a presidente Dilma Rousseff reforçou o compromisso de manter o combate à "praga" da inflação e defendeu, de maneira explícita, o modelo econômico de Estado forte, prestador de serviços e indutor de investimentos.

AE, Agência Estado

02 de janeiro de 2011 | 07h56

Integrante da ala do governo Lula que sempre atacou o Banco Central quando este elevava as taxas de juros para conter a alta de preços, a presidente Dilma mostrou-se ontem convertida à causa da estabilidade de preços. "Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que esta praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres", frisou ela no discurso proferido no Congresso.

A inflação baixa é, segundo Dilma, a base da manutenção do crescimento econômico. Preservar o atual ciclo de prosperidade é, por sua vez, a principal ferramenta que ela utilizará, ao lado de "fortes políticas sociais", para atingir seu objetivo principal: a erradicação da miséria. Vai, também, contribuir para transformar o País em "uma das nações mais desenvolvidas e menos desiguais do mundo, um país de classe média sólida e empreendedora".

Estado forte

A presidente, porém, não fez concessões ao que o Banco Central aponta como uma das causas da alta da inflação no País: os elevados gastos do governo. Pelo contrário, defendeu o modelo econômico de Estado forte, prestador de serviços e indutor de investimentos.

"O Brasil optou, ao longo de sua história, por construir um Estado provedor de serviços básicos e de Previdência Social pública. Isso significa custos elevados para toda a sociedade, mas significa também a garantia do alento da aposentadoria para todos e serviços de saúde e educação universais", afirmou. "Portanto, a melhoria dos serviços é também um imperativo de qualificação dos gastos governamentais."

Responsável pela organização do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Dilma defendeu o aumento dos investimentos públicos em relação aos gastos de custeio. "O investimento público é essencial como indutor do investimento privado e como instrumento de desenvolvimento regional", ressaltou. "Através do PAC e do Minha Casa, Minha Vida manteremos o investimento sob estrito e cuidadoso acompanhamento da Presidência da República e dos ministérios." Ela citou ainda os investimentos para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

A convicção da presidente em relação à inflação controlada deverá ser testada ainda este mês, quando o Comitê de Política Monetária (Copom), formado pela diretoria do BC, se reúne para decidir o novo nível da taxa básica de juros. A expectativa no mercado financeiro é de uma elevação de 0,5 ponto - para 11,25% ao ano. É uma estreia ruim para quem quer encerrar o mandato com taxa de juro real (descontada a inflação) de 2%. Atualmente, a taxa está na casa de 5,5% a 6%. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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