Dilma prega Estado forte e luta contra a inflação

Controle inflacionário é, segundo Dilma, base da manutenção do crescimento econômico

Lu Aiko Otta e Fabio Graner / BRASÍLIA,

01 de janeiro de 2011 | 21h10

No primeiro pronunciamento público a presidente Dilma Rousseff reforçou o compromisso de manter o combate à “praga” da inflação e defendeu, de maneira explícita, o modelo econômico de Estado forte, prestador de serviços e indutor de investimentos.

 

Integrante da ala do governo Lula que sempre atacou o Banco Central quando este elevava as taxas de juros para conter a alta de preços, a presidente Dilma mostrou-se ontem convertida à causa da estabilidade de preços. “Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que esta praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres”, frisou ela no discurso proferido no Congresso.

 

A inflação baixa é, segundo Dilma, a base da manutenção do crescimento econômico. Preservar o atual ciclo de prosperidade é, por sua vez, a principal ferramenta que ela utilizará, ao lado de “fortes políticas sociais”, para atingir seu objetivo principal: a erradicação da miséria. Vai, também, contribuir para transformar o País em “uma das nações mais desenvolvidas e menos desiguais do mundo, um país de classe média sólida e empreendedora”.

 

Estado forte. A presidente, porém, não fez concessões ao que o Banco Central aponta como uma das causas da alta da inflação no País: os elevados gastos do governo. Pelo contrário, defendeu o modelo econômico de Estado forte, prestador de serviços e indutor de investimentos.

 

“O Brasil optou, ao longo de sua história, por construir um Estado provedor de serviços básicos e de Previdência Social pública. Isso significa custos elevados para toda a sociedade, mas significa também a garantia do alento da aposentadoria para todos e serviços de saúde e educação universais”, afirmou. “Portanto, a melhoria dos serviços é também um imperativo de qualificação dos gastos governamentais.”

 

Nos últimos oito anos, o governo foi criticado por aumentar fortemente seus gastos, o que estaria sufocando o setor privado ao exigir a imposição de uma alta carga tributária e diminuindo o potencial de crescimento da economia. Apesar de reconhecer a necessidade de eliminar travas que inibem o dinamismo do setor produtivo e de modernizar e simplificar o sistema tributário, Dilma demonstrou com seu discurso que o tamanho do Estado não está no seu rol de maiores preocupações. A mensagem é de que o foco será melhorar a eficiência do gasto, não reduzi-lo.

 

Responsável pela organização do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Dilma defendeu o aumento dos investimentos públicos em relação aos gastos de custeio. “O investimento público é essencial como indutor do investimento privado e como instrumento de desenvolvimento regional”, ressaltou. “Através do PAC e do Minha Casa, Minha Vida manteremos o investimento sob estrito e cuidadoso acompanhamento da Presidência da República e dos ministérios.” Ela citou ainda os investimentos para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

 

A convicção da presidente em relação à inflação controlada deverá ser testada ainda este mês, quando o Comitê de Política Monetária (Copom), formado pela diretoria do BC, se reúne para decidir o novo nível da taxa básica de juros. A expectativa no mercado financeiro é de uma elevação de 0,5 ponto - para 11,25% ao ano. É uma estreia ruim para quem quer encerrar o mandato com taxa de juro real (descontada a inflação) de 2%. Atualmente, a taxa está na casa de 5,5% a 6%.

 

Câmbio. Dilma foi genérica ao tratar de outro grande problema no front econômico: o câmbio desvalorizado, que enfraquece as exportações e torna o País vulnerável a uma avalanche de produtos importados e de investimentos estrangeiros de curto prazo. Por outro lado, a compra de mercadorias no exterior a preços baixos ajuda a conter a inflação.

 

Ela disse que o Brasil seguirá defendendo, em fóruns internacionais, a adoção de políticas que protejam o País da “concorrência desleal e do fluxo indiscriminado de capitais especulativos.” Prometeu, ainda, combater o protecionismo comercial de países ricos “que sufoca qualquer possibilidade de superação da pobreza de tantas nações pela via do esforço de produção”.

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