Dilma pode ser candidata da base aliada, diz Lula

Presidente afirma que ainda não conversou com ministra, mas sabe de seu potencial.

Fernanda Nidecker, BBC

13 de novembro de 2008 | 20h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira em Roma que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tem o potencial para ser escolhida como candidata da base aliada ao governo para as eleições de 2010."Primeiro, tenho que construir uma candidatura junto à base aliada", disse Lula. "Acho que a Dilma pode ser uma boa candidata para o Brasil.""Entretanto, sequer conversei com a ministra e quem a conhece sabe que ela tem um potencial e que poderá ser escolhida pelos partidos da base inclusive, não apenas pelo PT", acrescentou o presidente.Lula fez o comentario em resposta a jornalistas brasileiros sobre suas declarações aos cinco principais jornais da Itália, em que disse ter em mente o nome de Dilma para sucedê-lo."Depois de mim, quero que o Brasil seja governado por uma mulher", disse Lula, segundo o jornal La Reppublica. "E a pessoa certa é a Dilma Rousseff."Lula, no entanto, destacou que o ano que vem não será de campanha, mas de conclusão das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)."Quem estiver pensando que eu vou fazer campanha em 2009 pode começar a tirar da agenda", afirmou.CriseO presidente disse que o governo vai acompanhar a atual crise financeira internacional "diariamente" e, à medida que for necessário, agirá para ajudar "este ou aquele setor" da economia até que o "medo psicológico" deixe de tomar conta e as pessoas voltem a comprar."Se a gente parar, a crise chega de verdade", disse o presidente. "Eu vou encontrar com o companheiro Guido (Mantega, ministro da Fazenda), amanhã em Washington. Certamente, teremos horas para conversar sobre novas medidas que o governo pode tomar." "Eu não sei quais são, e nós vamos tomar na medida em que os segmentos da economia brasileira apresentem concretamente os problemas que estão sentindo", acrescentou.Segundo Lula, os setores considerados prioritários para o governo são a indústria automobilística, pelo peso que representa na cadeia produtiva do PIB industrial (24%), a indústria da construção civil, pequenas e médias empresas, por causa da quantidade de empregos que geram, e a agricultura.O presidente ressaltou o que já foi feito até o momento, como a disponibilização de capital de giro para pequenas e médias empresas, a injeção de R$ 5 bilhões para financiamento da indústria automobilística e a devolução de mais de R$ 10 bilhões do compulsório para que o sistema financeiro tenha dinheiro para irrigar o crédito na economia."Portanto, se depender das ações do governo, das empresas brasileiras, a economia vai continuar funcionando bem, até porque nós queremos continuar fortalecendo o mercado interno brasileiro", afirmou.Pacotes estaduaisSobre os pacotes anunciados recentemente pelos Estados de São Paulo e Minas Gerais, Lula disse que tem pedido a todos os governadores que puderem contribuir que o façam, porque ajudarão a manter o crescimento do seu próprio Estado."Esta é uma lógica, e eu acho que os Estados que tiverem recursos devem fazer para ajudar na manutenção do crescimento de seu Estado e do Brasil", afirmou.O presidente voltou a dizer que, no Brasil, a crise é bem diferenciada porque o país tem um mercado interno forte. Mas admitiu que se há uma crise na principal economia do mundo e na Europa, seus efeitos "chegarão à China, ao Brasil, à Africa porque são grandes exportadores". "Para nos contrapormos a isso, vamos fortalecer o mercado interno brasileiro, não vamos paralisar obras do PAC e (vamos) atrair novos investimentos", acrescentou Lula."Se os empresários italianos têm problemas com investimentos aqui na Itália, o Brasil é um porto mais do que seguro para os investimentos deles", completou.Reunião do G20Sobre a reunião dos chefes de Estado do G20 no sábado, em Washington, Lula disse acreditar na possibilidade de uma posição comum entre os emergentes."Temos muita afinidade com a China, os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) vão se reunir, o Guido (Mantega) já fez reunião com o Ibas (Índia, Brasil e Africa do Sul). Então, eu penso que temos uma posição uniforme", afirmou."Mas é a primeira reunião, em que cada presidente vai ter apenas sete minutos para fazer sua exposição."Para Lula, é certo que o sistema financeiro precisa de uma regulação e a reunião será importante para começar a estabecer essas bases."É preciso reformular o FMI (Fundo Monetário Internacional), que foi criado para atender a uma determinada demanda dos países. Mas hoje o FMI não representa mais nada", afirmou. "Então, é preciso reformular totalmente as instituições." "A ONU tem que ter um papel mais importante (regulatório), como tem a FAO (Agência das Nações Unidas para a Alimentação), o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento)", completou.Após a entrevista com os jornalistas na embaixada brasileira, Lula embarcou para Washington. Na sexta-feira, o presidente tem uma série de encontros bilaterais com vários líderes, como a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e o primeiro-ministro do Japão, Taro Aso.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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