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Dilma perdeu apoio de 77 entre os mais governistas

Dos deputados que votaram de acordo com a orientação do Planalto em 80% das vezes ou mais, quatro em cada dez optaram pelo impeachment

Rodrigo Burgarelli, Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2016 | 01h42

Apesar da presidente Dilma Rousseff (PT) contar com o menor apoio na Câmara dos Deputados desde 2003, um grupo consistente de 195 deputados sempre votou de acordo com a orientação do seu governo em ao menos 80% das vezes nesta legislatura – o suficiente para ter derrubado o impeachment. Sua derrota na votação de ontem, portanto, significa que 77 parlamentares desse núcleo de apoio a abandonaram.

O gráfico acima mostra a distribuição dos deputados que votaram a favor e contra o impeachment ordenados por seu índice de governismo. Se a posição do parlamentar na sessão de ontem fosse consequência apenas da sua adesão ao governo na Câmara, os 137 que votaram contra deveriam estar isolados no canto esquerdo do gráfico. Mas não é isso que acontece. 

Há diversas barras azuis nesse lado, que representam os maiores “traidores” do governo na votação do impeachment. O partido com mais representantes nesse grupo é o PMDB. No total, 22 deputados desse partido que estavam entre os mais fiéis a Dilma votaram contra a presidente.

O melhor exemplo entre eles é o do deputado e ex-ministro Edinho Araújo (PMDB-SP), um dos mais fiéis aliados do vice-presidente Michel Temer (PMDB). Em 67 votações que contaram com sua presença, foram 65 votos a favor do governo e apenas 2 contra. Isso representa um índice de governismo de 97%, entre os mais altos da Casa. No entanto, o correligionário de Temer votou a favor da abertura de processo de impedimento contra a presidente.

Em segundo lugar no ranking das traições está o PRB, com 14 deputados, e o PR, com 13. Este último foi um poucos partidos da base aliada de Dilma que orientou seus deputados a votar contra o impedimento da petista. Essa orientação fez com que outro ex-ministro de Dilma, Alfredo Nascimento (PR-AM). renunciasse ao seu cargo de presidente do partido no próprio microfone de votação ao declarar voto favorável ao impeachment.

Dois deputados haviam registrado 100% de governismo até a sessão de ontem e também foram a favor do impedimento: Tampinha (PSD-MT) e Thiago Peixoto (PSD-GO). A diferença entre eles está no número de sessões. O primeiro havia participado de 20 votações até ontem, e votou a favor do governo em todas. Já Peixoto participou em apenas 4 – o baixo número de votações, portanto,mostra que o seu exemplo é menos representativo. 

No grupo de “traidores do governo”, também entram, por exemplo, os parlamentares Hugo Legal (PSB-RJ), que tinha 94% de governismo, Toninho Wandscheer (PROS-PR), com 92%, e Ricardo Barros (PP-PR), que havia votado de acordo com o governo em 91% das votações anteriores. Todos esses três votaram contra a presidente na sessão de ontem.

Os dados mostram que o contrário também aconteceu, embora em menor proporção. Nove deputados com menos de 60% de governismo votaram ontem a favor de Dilma. A maior parte desses parlamentares são do PSOL, partido que, apesar de fazer oposição ao governo desde o início da legislatura, fechou posição contra o impedimento de Dilma. Todos os seis atuais deputados do partido estão neste grupo.

Os dados do governismo são do Basômetro, ferramenta interativa do Estadão Dados que permite explorar uma base de milhares de votações no Congresso desde 2003, incluindo a orientação do governo e o voto de cada deputado ou senador. Segundo os dados do projeto, a porcentagem de votos registrados seguindo a orientação do governo na atual gestão de Dilma é a menor da série histórica: 66%. Esse mesmo número nas gestões Dilma 1, Lula 2 e Lula 1, respectivamente, havia sido de 74%, 77% e 77%.

Estados. Duas bancadas estaduais deram 100% de seus votos à proposta de abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff: Amazonas e Rondônia.

A segunda maior vitória do “sim” ao impeachment, em termos proporcionais, ocorreu em Goiás (94% dos votos). A seguir, empatados no ranking, aparecem Rio Grande do Norte, Santa Catarina. Distrito Federal e Roraima, todos com 87,5%.

 

O patamar mínimo para a aprovação da proposta no plenário, de dois terços dos votos, foi atingido nas bancadas de 19 das 27 unidades da Federação.

Os deputados contrários ao impeachment só conseguiram formar maioria na Bahia, onde 56% dos deputados apoiaram Dilma. Os aliados da presidente conquistaram metade dos votos no Ceará, no Amapá, no Acre e no Piauí – nesses duas últimas bancadas, houve divisão exata, com 50% dos deputados de um lado e 50% de outro. 

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