AFP PHOTO / EVARISTO SA
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Dilma pede rejeição de 'pauta-bomba'

Em jantar com aliados, presidente destaca importância de evitar novos gastos para o governo e afirma 'não ter medo' da crise política

Erich Decat, Daniel Carvalho, Vera Rosa, Bernardo Caram e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2015 | 02h02

BRASÍLIA - Em jantar realizado ontem com ministros e líderes da base aliada no Congresso, a presidente Dilma Rousseff pediu apoio para fazer a travessia "sem medo" da atual crise política e econômica. Dilma afirmou ainda que, na busca de estabilidade, vai procurar representantes de outros poderes, como os do Judiciário. "Eu não tenho medo. Eu aguento pressão. Eu percebo o que está acontecendo, ouço para mudar e melhorar", disse a presidente no Palácio da Alvorada, ao prometer melhorar o diálogo com os integrantes de sua base de sustentação.

Dilma destacou a importância de rejeitar a chamada "pauta-bomba", formada por projetos que aumentam os gastos do governo e podem desconstruir os efeitos do ajuste fiscal. "Não quero que votem como carneirinhos, mas como uma base corajosa, em nome do Brasil", disse Dilma, de acordo com relatos de deputados e senadores.

Ao anunciar que na próxima semana pretende reunir representantes do Judiciário para pedir apoio, a presidente afirmou que vetou o aumento de até 78% para servidores porque um reajuste nessas proporções não seria possível nem em tempos de crescimento.

"As corporações não podem se apoderar do Estado nem no meu governo nem em governo nenhum", afirmou Dilma, no jantar que teve como prato principal a crise política. "Todos os Poderes precisam lutar para o Brasil prosperar."

A presidente também indicou que vai procurar, nas próximas semanas, representantes do setor empresarial para discutir propostas para o País.

Na primeira reunião com líderes da base aliada após o recesso parlamentar, Dilma fez um brinde "à amizade e à convivência". Apesar de todas as derrotas sofridas e do agravamento da crise política, a presidente disse que o governo saiu "vencedor" no primeiro semestre.

"Ela demonstrou a preocupação do governo em unificar a base, em fazer aquilo que há muito tempo era cobrado, ou seja, uma maior participação de todos, com um núcleo político mais amplificado", disse o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ). "Foi um dia de boas-vindas", emendou o líder do PT na Casa, Sibá Machado (PT-AC).

Distensão. Antes, em reunião entre o vice-presidente Michel Temer, representantes da coordenação política do Planalto e líderes da base aliada na Câmara, no Palácio do Jaburu, ficou acertado que é preciso distensionar a relação com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Segundo relatos, o líder do PSD, Rogério Rosso (DF), ressaltou que Cunha conta hoje com apoio da maioria das lideranças da Casa em razão do sentimento de que é necessário adotar "a presunção de inocência" e o "amplo direito de defesa". Sibá também adotou um tom de contemporização, apesar de o PT ter sido um dos principais artífices de embates com Cunha.

Em meio ao clima apaziguador, os líderes acertaram que projetos que causem impacto aos cofres da União, como o que muda a correção do FGTS, serão colocados em segundo plano. "Estabilizar a relação política é tudo que o País precisa", afirmou o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), após a reunião. O petista contou que vem buscando diálogo com Cunha e que vê um horizonte de melhora na relação com o presidente da Câmara. "Acredito que não vai ter essa ruptura e que não vai trazer prejuízos ao País."

Responsável pela condução das atividades na Câmara, Cunha anunciou rompimento com o governo no dia 17 de julho, após vir a público a delação feita no âmbito da Operação Lava Jato por Júlio Camargo. Alvo das investigações, Cunha pode virar réu no Supremo Tribunal Federal. Camargo acusa o deputado de cobrar o pagamento de propina no valor de US$ 5 milhões.

 

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