Dilma pede que PF investigue assassinato de ativistas no Pará

Nota oficial da Secretaria-Geral da Presidência lembra que casal de extrativistas denunciavam há tempos crimes ambientais na região amazônica

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo

24 de maio de 2011 | 22h12

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff determinou nesta terça-feira, 24, ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que acionasse imediatamente a Polícia Federal (PF) para investigar a morte do casal de extrativistas, José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo.

 

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Segundo informações do Palácio do Planalto, a presidente foi informada do crime pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e, em seguida, pediu a Cardozo para que tomasse as providências necessárias junto à PF.

 

Em nota oficial, Carvalho disse que há tempos o casal vinha denunciando o desmatamento e a extração ilegal de madeira na região amazônica.

 

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que se reuniu com a presidente Dilma para discutir o Código Florestal, comentou que a flexibilização das regras ambientais vai deixar desamparados líderes ambientais como esses que têm a lei como instrumento de luta. Marina lembrou ainda que esses líderes trabalhavam contra o desmatamento no Pará e sucederam a irmã Dorothy, assassinada em 2005, no combate aos crimes ambientais na região.

 

Crime bárbaro. Também em nota oficial, a Secretaria de Direitos Humanos classificou o assassinato como "bárbaro" e afirmou que não se trata de um caso isolado, "mas com o objetivo de calar a voz de lutadores de uma justa e honrosa causa".

 

Segundo o documento, levantamento da Ouvidoria Agrária Nacional mostram que, entre 2001 e 2010, 58 pessoas foram assassinadas no Pará por conta de conflitos de terra e outras 62 mortes estão sob investigação.

 

O texto diz ainda que a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos entrou em contato com a Polícia Civil do Pará e com a PF e que "o governo brasileiro não aceita que esse tipo de prática ocorra em nosso país e não poupará esforços para identificação e responsabilização dos criminosos".

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