Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Dilma pede fim do pessimismo e oposição defende regras claras para a economia

Presidente disse que algumas das previsões negativas passadas não se confirmaram

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2014 | 02h02

Em sabatina ontem com empresários da Confederação Nacional da Indústria, a presidente Dilma Rousseff pediu o fim do pessimismo propagado por setores que, segundo ela, tentam influenciar os rumos da eleição. Já os candidatos de oposição Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) defenderam regras claras para a economia como forma de restabelecer a confiança de investidores no País. Aécio e Campos se comprometeram a fazer uma reforma tributária caso sejam eleitos.

"Expectativas pessimistas bloqueiam as realizações", disse a presidente. Segundo ela, têm sido feitas diversas previsões negativas, entre elas as de "tempestade perfeita", em que tudo vai dar errado, a exemplo do receio quanto à realização da Copa do Mundo e as avaliações de que o Brasil teria racionamento de energia. "Essas profecias não se realizaram nem se realizarão", afirmou.

Em um afago ao setor, Dilma disse aos empresários: "Não se iludam: nós nos gostamos. A pior coisa que pode acontecer com um Estado e os empresários é ficar pessimista". Segundo ela, "forçar a realização dessas profecias em período pré-eleitoral tem forte componente político". "Vamos entrar em um novo ciclo porque criamos as bases."

Questionada se o Brasil veria no ano que vem um "tarifaço" nas contas de energia e gasolina, a presidente afirmou que a questão é "prima-irmã" das previsões pessimistas. "Pregar esse tarifaço é para assustar as pessoas e as empresas."

A petista disse que o País tem hoje uma situação macroeconômica que lhe permite debelar adversidades. Isso, segundo ela, porque o Brasil tem reservas de U$ 379 bilhões, enquanto o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tinha U$ 37 bilhões.

Oposição. Sabatinados antes de Dilma, Aécio e Campos afirmaram que a economia brasileira está parada e a indústria se estagnou desde 2009. "Não espere em nosso governo plano A, ou plano 'Brasil Melhor.' Espere do meu governo uma regulação clara dos mercados", disse o candidato tucano aos empresários. Aécio e Campos tentaram se apresentar como a solução para o País, já que, para os dois, com o atual governo não é possível restabelecer a confiança do investidor no Brasil. "Ou mudamos ou vamos jogar fora a chance que custou tanto trabalho da gente brasileira. A sociedade quer que baixe a carga tributária de 37%", disse Campos.

Os dois convergiram em apenas duas propostas, que detalharam com maior precisão. Uma delas é a de reforma tributária que simplifique os impostos e adote o Imposto de Valor Agregado (IVA) - um tributo único que incidiria sobre o consumo. Campos disse que encaminharia ao Congresso a proposta na primeira semana de governo. Outro ponto de convergência foi a política externa. Ambos avaliam que é necessária uma agenda mais comercial e menos ideológica, que privilegie acordos bilaterais. Deixaram claro que o Mercosul não terá a mesma prioridade dada por Dilma.

CLT. Indagados se patrocinarão mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho, que, segundo a CNI, tem cláusulas ultrapassadas, Dilma e Campos disseram que é preciso patrocinar um diálogo entre trabalhadores, governo e empresários, mas rejeitaram alteração em direitos como o 13.º salário e as horas extras. "Minha história de vida não me permite tirar direito de trabalhadores", afirmou Campos.

"Não é possível rasgar conquistas como o 13.º e as horas extras", disse a presidente. Ela afirmou que não é contra a terceirização, mas rejeita a precarização das condições de trabalho. Aécio não foi questionado sobre o tema.

Na parte mais política do evento, Campos associou os adversários a "grupos políticos atrasados". O tucano e o ex-governador acusaram o governo Dilma de aparelhar a administração federal para manter a base de sustentação no Congresso. Disseram que, se eleitos, vão reduzir o número de ministérios - Campos, pela metade, Aécio, de 39 para entre 21 e 23 - e cortar parte dos 22 mil servidores comissionados que, segundo eles, só servem para aparelhar a máquina. / JOÃO DOMINGOS, DÉBORA BERGAMASCO, BEATRIZ BULLA, DAIENE CARDOSO, NIVALDO SOUZA, RICARDO DELLA COLLETTA, RICARDO BRITO e RAFAEL MORAES MOURA

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