Dilma pede ação para conter caso Palocci

Presidente convoca reuniões e pede a aliados que trabalhem para evitar que crise envolvendo o ministro da Casa Civil paralise governo

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - Para retirar o governo da inércia provocada pela crise que atingiu o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, a presidente Dilma Rousseff desencadeou nesta segunda-feira, 23, uma operação para mostrar que o Planalto "está trabalhando" e não foi contaminado pelas denúncias.

 

Em reuniões com ministros representantes de todos os partidos da base e líderes do Congresso, Dilma pediu unidade em torno da proposta do governo na votação do Código Florestal e pressa na conclusão do Plano Brasil Sem Miséria. A ideia é apresentar uma agenda positiva que desvie a atenção de fatos negativos.

 

Enquanto isso, o governo ganha tempo para que Palocci apresente as explicações pedidas pela Procuradoria-Geral da República, que Dilma, segundo interlocutores, disse esperar que sejam claras e suficientes. Ontem o governo comemorou a ausência de fatos novos no noticiário.

 

Um dos "três porquinhos" que comandaram a campanha presidencial de Dilma, Palocci enriqueceu em 2010, após a eleição. O governo teme que, se o ministro for atingido, o mandato da presidente também possa ser abalado.

 

Embora Dilma continue afirmando que mantém confiança no ministro-chefe da Casa Civil, é fato que "a realidade mudou", como observou um de seus auxiliares. Outro interlocutor, no entanto, observou que a presidente "não é autista" e, mesmo não se pautando pela imprensa, está acompanhando atentamente todas as movimentações que acontecem no campo político em decorrência da crise que envolve Palocci. Por isso, a presidente espera que as explicações do ministro da Casa Civil sejam logo apresentadas e a Procuradoria-Geral da República, que a princípio não queria se estender no caso, não peça mais nada e encerre a questão, como fez a Comissão de Ética Pública. Com isso, acredita que esse período de turbulência seja enfim superado.

 

Para evitar que as explicações à procuradoria ou a falta delas ecoem no Congresso, Dilma quer que os ministros políticos de seu governo mobilizem suas bancadas.

 

Com Palocci na berlinda, o ministro-chefe das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, acabou assumindo missões habitualmente tocadas pela Casa Civil desde o início do governo e até ganhou mais espaço com a presidente. Mesmo depois de, na semana passada, ter ficado sob a mira do Planalto, quando sua subchefia parlamentar enviou para todos os deputados e senadores uma carta em Palocci tentava justificar seus ganhos, comparando a ex-ministros de governos anteriores. O documento era para ser reservado e sua divulgação acabou ampliando a crise.

 

Esta semana o governo vai ter um primeiro termômetro dos estragos provocados pelo escândalo Palocci, já que uma pesquisa interna elaborada pela equipe do publicitário João Santana deverá ficar pronta.

 

Defesa. Em sintonia com a estratégia traçada pelo Palácio do Planalto, os cinco governadores do PT saíram ontem em defesa de Antonio Palocci, com o argumento de que é preciso aguardar a manifestação da Procuradoria-Geral da República. Os governadores petistas se reuniram com o presidente do partido, Rui Falcão, em Brasília.

 

O governador da Bahia, Jaques Wagner, chegou a dizer que o Congresso é uma Casa política, e não o local apropriado para investigações. "Por que levar Palocci ao Congresso? A gente sabe o que é o Congresso, com todo o respeito. Se querem esclarecimento, o melhor caminho é o do Ministério Público Federal."

 

Já o governador de Sergipe, Marcelo Déda, afirmou que "quem tem de avaliar se Palocci deve ir ao Congresso prestar esclarecimentos são o governo e ele próprio". / Colaborou Vera Rosa

 

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